28 novembro 2007

Blackout

Logo que chegamos aqui, uma das coisas mais difíceis de aprender foi atravessar a rua: simplesmente passar da calçada para o asfalto naturalmente, sem parar para ver se vinha algum carro. Ou principalmente quando vinha um carro, pois eles sempre param para deixar o pedestre atravessar. Demorou um tempo para perdermos o reflexo condicionado de paulistano de encarar qualquer carro como um potencial assassino.
Pode ser que os motoristas tenham mais respeito e bom senso, ou pode ser que tenham medo dos processos por atropelamento. De fato, vemos muitas propagandas (amricanas, é verdade) de advogados especializados nesse tipo de acidente ("Hurt in a car? Call William Mattar!"). Por outro lado, com muitos anos de experiência como pedestre convicto, não descarto a possibilidade de que os motoristas de São Paulo tenham menos respeito porque, no Brasil, quem tem carro é necessariamente "melhor" que quem não tem, no melhor espírito oligárquico.

Hoje pude presenciar mais um fato "impressionante" em Toronto. Estava trabalhando normalmente (como todos devem se lembrar, trabalho em downtown, no Old Distillery District). Como estava implementanto uma nova funcionalidade em uma parte do programa que eu não conhecia, passei quase todo o dia estudando e fazendo testes e, quando finalmente entendi o que precisava ser feito e comecei a alterar todos os arquivos envolvidos, a energia acabou! É claro que eu ainda não tinha salvado nada... De qualquer forma, lá pelas cinco da tarde as luzes ainda não tinham voltado e fomos dispensados. Até então eu ainda pensava que fosse um problema no meu escritório, ou no prédio, quando vi que o elevador também não funcionava. Só quando cheguei no primeiro cruzamento é que percebi que os semáforos também não estavam funcionando. De fato, tratava-se de algo muito maior.
Mas foi só ao chegar no terceiro cruzamento a caminho do meu ponto do streetcar é que percebi que estava faltando alguma coisa. Era o começo do pico de trânsito, em pleno centro da cidade e ninguém estava buzinando. Ninguém mesmo! Fui até o centro, pois pego o subway na esquina da King & Yonge, onde ficam os enormes edifícios de bancos, e em todo o trajeto não ouvi nenhuma buzina. E o trânsito fluía quase normalmente. É claro que, sem os semáforos, estava mais congestionado. Entretanto, de alguma forma os motoristas sabiam quando passar e quando ceder a vez, sem muita complicação. Tentei me lembrar das inúmeras vezes em que a primeira chuvarada deixava todos os semáforos da Ibirapuera piscando no amarelo e da confusão ensurdecedora que se seguia, mas essa não é uma recordação que eu guardo com muito carinho.

Não acho que os canadenses, em particular os torontonians, sejam pessoas exemplares, e tenho visto muito individualismo e bairrismo por aqui. Porém também tenho visto que isso não impede que as pessoas sejam respeitosas. Ainda é cedo para tirar conclusões, para definir quais as regras e quais as exceções, mas, por enquanto, estou gostando do que estou vendo.

27 novembro 2007

Ah, a tecnologia...

Quando adotei a Ísis com aproximadamente 30 dias de vida eu morava em um apartamento alugado e com carpete. Não que eu goste de carpete, de jeito nenhum! Nada como um bom piso laminado para nos livrar das alergias e sujeira, mas às vezes, por motivos diversos você acaba não tendo essa opção.
O quartinho de empregada tinha o tamanho perfeito e ainda possuía um banheirinho que eu sonhava que seria usado por ela. Ledo engano! O carpete do quartinho se transformou em banheiro e todo dia lá estava eu passando tudo quanto é tipo de produto para tentar limpar e tirar o cheiro de xixi. Ela era (ainda é) teimosa e custou a se conformar que o local de fazer as necessidades não é no carpete.

Menos de 1 ano depois lá estava eu contratando um pedreiro para trocar o carpete por piso de cerâmica. Minha vida ficou mais fácil, mas eu ainda tinha problema com xixi na sala.

Na época o Vaporeto estava na moda e era um produto revolucionário, porém tinha um grande defeito: você não podia colocar nenhum produto de limpeza junto com água.

O contrato de aluguel terminou e eu finalmente consegui me mudar para um apartamento com piso de madeira e parte dos meus problemas se resolveram.

Vim para Toronto e a maioria dos apartamentos aqui tem carpete e eis que me vi novamente na necessidade daquele milagroso produto que ninguém tinha inventado ainda.

Finalmente nesta semana todos os meus problemas acabaram! Alguém além de mim pensou na mesma coisa e projetou o Dirt Devil Purpose for Pets!

O produto não só limpa o carpete com um sabão específico eliminando manchas e cheiros como também possui um dispositivo de luz negra que mostra as manchas escondidas. Eu não poderia desejar mais nada, ele é simplesmente perfeito e será meu amigo inseparável enquanto eu morar em lugares acarpetados.

Esta é a foto do meu novo amigo. Eu amo a tecnologia!

22 novembro 2007

Você tem sotaque?

Vi isso lá no blog da Alexandra e resolvi fazer o teste. Das duas uma: ou eu falo muito errado ou ainda não adquiri nenhum sotaque!

Nevou!

Finalmente a tão esperada neve chegou e esta é uma ocasião especial para mim e para o Pedro porque já conhecíamos neve mas essa é a primeira vez que vemos nevar!

O Willy e a Ísis é que não gostaram muito. De manhã eles não quiseram nem saber de sair de casa quando viram o chão todo branco.

Esta foto foi tirada assim que chegamos aqui em julho:


Veja como está agora:


19 novembro 2007

Voluntariado

Através do blog do Gean ficamos sabendo do I Brazilian Film Festival of Toronto e resolvemos nos candidatar a voluntários no evento.

Fomos escalados para o último dia do Festival que foi ontem lá na Bloor Street.

Saímos de casa tranquilamente quando notamos que havia alguma coisa estranha no subway, pessoas com chifrinhos de rena, chapéu de Papai Noel...oh, era dia de Santa Claus Parade e ia começar justamente no horário em que teríamos que estar no cinema.

Descemos na Bathurst e resolvemos encarar a multidão, afinal o Festival precisava de nós! Empurra daqui, cotovelada dali e não saímos do lugar. Resolvemos então voltar, mas como??? A multidão não andava pra lado nenhum!

Meia hora depois, já suados de tanto contato com "calor humano" conseguimos percorrer os 2 metros que precisávamos para nos livrar dos "espectadores".

Que solução a não ser dar a volta no quarteirão e tentar a sorte? Foi a nossa salvação porque lá o pessoal tinha feito uma filinha para ir e outra para voltar então não tinha tanto empurra-empurra.

Já no 506 da Bloor fomos tomar nossos postos de voluntários. O Pedro e eu nos revezamos recolhendo as entradas e distribuindo pesquisa. Quando a coisa ficava mais sossegada dávamos uma espiadinha nos filmes.

O que eu consegui ver foi o "Minhocão", que como o próprio nome diz, é um documentário sobre o Elevado Costa e Silva em São Paulo.

Sinceramente fiquei sem saber qual era a desse documentário porque havia vários depoimentos desencontrados de pessoas que moram em frente ao Minhocão. Também mostraram um senhor nordestino que morou na rua por um tempo até conseguir comprar um cantinho lá por perto.
Tudo muito feio, muito pobre e sem sentido. Vazio de crítica social ou de qualquer coisa que fosse. Sem objetivo, totalmente descritivo.

Fiquei chateada porque temos coisas tão bonitas no Brasil mas os cineastas teimam em mostrar somente a pobreza, a miséria e de uma forma descontextualizada. A impressão que dá é que só existe isso por lá.

Um exemplo da falta de criativiade do filme foi o depoimento de um senhor que tinha uma loja em um dos prédios comerciais perto do Minhocão. Ele começou trabalhando lá como funcionário até que conseguiu juntar dinheiro e comprar o estabelecimento. Estabelecimento de quê? Como ele conseguiu juntar esse dinheiro? Que tipo de freguesia ele tem? A loja dele é um ponto tradicional ou de referência para os moradores da região? Não, sei! O que sabemos é que de funcionário ele passou a patrão, e só!

Mas tem a parte boa que foram as tomadas aéreas da cidade. Eu adoro São Paulo e enquanto via aquelas imagens ia dando um aperto no coração. Acho que foi a primeira vez que senti tanta saudade.

Tenho certeza de que se o filme tivesse sido dirigido pelo Antônio Abujamra em parceria com o Gregório Bacic eles conseguiriam fazer algo impressionante. Basta ver os "malucos" que o Bacic descobre no Centro de SP; só eles já dariam pano pra muita manga!

Mas opinião é algo muito particular e essa é a minha. Ainda bem que tem gente que discorda e com isso fazemos o mundo girar. Os canadenses amaram o filme! Um inclusive, veio lamentar que achava uma pena ter tão poucas pessoas na platéia porque os filmes são excelentes. Pois é, talvez para o pessoal que está fora da realidade isso seja algo diferente. Pra mim não, eu via isso todo dia.

13 novembro 2007

Mudanças no TTC

Segundo o Metronews o TTC passará por uma boa reforma tecnológica que inclui um novo sistema que mostrará aos passageiros na plataforma de embarque quanto eles vão esperar pelo próximo trem. O website também está sendo reformulado e em breve será possível comprar o metropass pela internet (pelo jeito já sabemos para onde vai o dinheiro resultante do aumento das tarifas neste mês).

Gostei da idéia de comprar o metropass online mas não sei até onde é útil você saber quanto tempo vai esperar pelo próximo trem sendo que existe uma placa nas plataformas com todos os horários de segunda a domingo.

Já nos ônibus e streetcars está sendo estudada a instalação de "cabines transparentes" como aquelas que existem em alguns táxis no Brasil para proteger o motorista. A idéia é essa mesma, já que diariamente muitos motoristas relatam casos de agressões verbais e até físicas que ocorrem principalmente quando há atraso nas linhas ou alguma discussão por causa do preço da passagem.

As opiniões ainda estão divididas: há aqueles que apóiam, aqueles que acham que isso vai tirar a melhor parte do trabalho do motorista que é interagir com o público e aqueles que acham que seria melhor pensar numa solução mais criativa para evitar o atrito entre motoristas e passageiros.

Um hipótese levantada foi a possibilidade de se instalar mais câmeras e diminuir a lotação dos carros aumentando a frota. Agora sim eles estão falando a minha língua!

11 novembro 2007

Remembrance Day

Há algumas semanas muita gente tem usado por aqui esta florzinha na lapela; ela se chama "poppy" e é um símbolo para lembrar os soldados e civis que morreram defendendo seu país em alguma guerra, bem como os veteranos que lutaram nessas guerras e ainda têm histórias para contar. Por isso esse dia às vezes é chamado aqui de "Veterans Day".

O dia de hoje também é conhecido como Poppy Day ou Armistice Day porque justamente no dia 11 do mês 11 às 11 horas do ano de 1918 o Armistício, que significou a rendição da Alemanha, foi assinado, pondo fim à I Guerra Mundial. Anos depois este ato traria consequências. No ano seguinte, o rei da Inglaterra, George V, propôs a criação desse dia especial para lembrar para sempre os sacrifícios da guerra. Vários países de língua inglesa, como também outros aliados, como os franceses, passaram a celebrar o 11 de Novembro. Com o passar do tempo, especialmente após os terrores da II Guerra Mundial, as vítimas de outras guerras de cada país também passaram a ser rememoradas neste mesmo dia. Aqui no Canadá, por exemplo, tem se falado muito dos soldados, na maioria muito jovens, que estão lutando no Afeganistão, o que tem tornado as celebrações deste ano um pouco mais presentes e sensíveis a todos.

Há duas semanas tenho visto os velhinhos, presumivelmente veteranos da Segunda Guerra (embora eu tenha lido que ainda existe pelo menos um veterano da Primeira Guerra ainda vivo), estão colhendo donativos e dando em troca um pequeno broche imitando aquela florzinha para as pessoas colocarem na lapela. É impossível andar pelas ruas sem encontrar alguém usando um broche desses. Até os apresentadores dos telejornais aparecem com elas; tudo para embelezar as celebrações do dia de hoje. Aqui perto de casa estão fazendo uma no cemitério, que tem uma área só com túmulos de soldados, inclusive "enfeitada" com tanques e canhões de cada uma das guerras em que soldados canadenses lutaram.

09 novembro 2007

Practice Firms

Existe uma infinidade de Entidades que orientam o imigrante recém chegado ao Canadá a conseguir emprego, desde a elaboração do currículo até a "prática"digamos assim.

Já falei aqui do Job Start e do Skills for Change que possuem workshops de 2 semanas ou mais onde você aprende a elaborar um bom currículo, técnicas de entrevista, cultura canadense entre outras coisas. Tudo isto é teoria.

As Practice Firms são empresas virtuais em que pessoas do Governo trabalham e possuem algumas vagas para que recém-chegados possam exercer sua profissão para adquirir experiência canadense.

Virtual porque o prédio existe fisicamente mas tudo o que você vai fazer lá é virtual, ou seja, se sua área é marketing você vai desempenhar todas as funções do cargo, elaborar flyers e etc, mas nada disso terá valor econômico. O "estagiário" recebe inclusive um holerite e deverá realizar compras pela internet com seu salário mas nenhuma transação vai ocorrer na realidade, apenas no ambiente virtual para que se possa praticar.

São 5500 empresas desse tipo no mundo e 46 aqui no Canadá (será que existe alguma no Brasil?). O site da Real Co. explica bem como funciona:

The virtual company concept is an innovative business program, focused on activity-based learning. This concept provides participants with real business experience and supports them to develop personal qualities and attitudes such as leadership, decision-making, problem solving and communication skills in a group environment, working towards a positive outcome.

A virtual company is a simulated enterprise that is set up and run by its participants with support from employment counsellors and a real sponsor company. Virtual Companies conduct business with other virtual companies in a simulated market economy on a local, national or international basis. The Practice Firm facilitates hands-on experience to all participants in every aspect of business operations. It also strengthens marketing and sales experience through development and implementation of business plans and follow on the subsequent processes once it is implemented.


Claro que você não recebe salário durante as 8 semanas do treinamento mas se conseguir emprego antes desse período você pode sair do programa. Se é válido ou justo fica para uma outra discussão.

O ponto positivo que vejo nisso é que você não precisa ter medo de errar e ainda pode desenvolver suas "communications skills", ou seja, dar uma turbinada no Inglês de índio que você chega falando.

Ah, um "conselheiro" deve te indicar para esse programa, depois você vai a uma information session na qual eles explicam como tudo funciona e se seu currículo for interessante e eles tiverem uma vaga na sua área uma entrevista será marcada.

Prepare-se para aquelas peguntas chatérrimas do tipo "Fale-me de uma ocasião em que você resolveu um problema de forma criativa"ou "Descreva uma situação em que você fez algo melhor que seu chefe. Como você lidou com isso depois?

Dependendo do cargo pode existir uma fila de espera e não significa que os primeiros da fila serão os primeiros a conseguir a vaga. Lembre-se que o critério utilizado é o currículo, quanto melhor maior a sua chance de conseguir o "emprego".

08 novembro 2007

Flurries!

Enquanto passeava com meus cachorros hoje fui surpreendida por flurries! Foi a primeira vez que os vi e achei a coisa mais linda. Fiquei igual criança tentando pegá-los no ar mas estavam tão fininhos que derretiam assim que tocavam a minha mão (a temperatura ainda estava positiva em 2°).

Liguei para o Pedro e disse "está nevando" mas ele não viu nada porque em downtown não teve flurrie. Ele não sabe o espetáculo que perdeu.

Aqui vai uma foto que tirei da janela do meu apartamento mas infelizmente não dá pra ver direito. As varandas aparecem rajadinhas porque são os flurries caindo (clique na foto para aumentá-la e conseguir ver alguma coisa).


06 novembro 2007

Você sabe o que é Tempo?

Olhe bem para essa foto. Você reconhece esta praça?

Se você falou que é a pracinha do Centre for the Arts de North York acertou! Mas você já prestou atenção nela?

Então olhe para o chão e preste atenção na disposição dos bancos e marcas no chão.

Agora olhe para cima; tem uma espécie de "cobertura vazada" sobre esses banquinhos. Percebeu? Eles formam notas musicais; isso é uma partituta, ou melhor, parte dela.

Esta escultura também faz parte da praça e se chama "Tempo". Quando vi isso pensei: "que legal, o nome da escultura está em Português!". Santa ignorância! Ainda bem que eu tenho o Pedro que entende de música.

"Tempo" é uma palavra italiana para medir a velocidade com que se vai tocar as notas musicais, daí todos esses objetos estarem dispostos na praça de forma a dar a impressão de partitura. Achei genial!

05 novembro 2007

Conhecendo os vizinhos

O Halloween já passou e a assombração aqui resolveu sair da toca. Gostaria de ser diferente mas sou assim mesmo, me enfio no meu cantinho e só saio se me chamarem e foi isso que aconteceu na semana que passou.

Tive a oportunidade de colocar a conversa em dia com a Dani, conhecer a Mirela e tomar um café de verdade (brasileiro, é claro) e finalmente reencontrar o Marcelo e sua família que vieram no mesmo vôo que o Pedro e eu.

Fomos jantar em um restaurante chinês (Congee Wong) aqui pertinho com a família 3M e Marcelo e família. Além de ter conhecido um lado da Yonge para o qual eu nunca tinha ido o jantar valeu pelo sabor e pelo preço bastante convidativo. Com certeza é um local que voltaremos a frequentar nos finais de mês quando o dinheiro estiver curtinho e quisermos fugir dos fast-foods.


01 novembro 2007

A difícil arte de cozinhar


Cozinhar para mim nunca foi um problema porque eu simplesmente não cozinhava no Brasil! Ok, de vez em quando eu preparava alguma coisa simples ou um sanduíche light mas aqui preciso cozinhar todos os dias, afinal não dá para comer em restaurante direto.

Já pesquisei vários sites de receitas mas eles sempre colocam ingredientes esquisitos ou pratos calóricos.
Todos os dias penso "vou montar pelo menos um cardápio quinzenal" e aí fico estagnada nos únicos pratos que sei preparar:
  • arroz com lentilha e cebola torrada (comi uma vez num restaurante árabe e adorei)
  • strogonofe de frango/carne (modéstia à parte o meu fica gostoso)
  • macarrão com salsicha (é o salvador da pátria quando não tem mais nada em casa)
  • sopa de legumes (preciso aprender porque a minha não fica boa)
  • arroz com feijão e quibe assado (o quibe eu conheci no bandejão da USP e era um dos raros pratos bons de lá)
Esses pratos devem ser preparados apenas para o almoço porque contém bastante carboidrato, o que significa aumento de peso. Desta forma, à noite deverá ter alguma coisa mais leve como uma saladinha ou um sanduíche natural. Problema1: o Pedro não come coisas que nascem na natureza só aquelas que "nascem" dentro das fábricas. Problema 2: nenhum de nós come peixe de espécie alguma, o que nos dificulta a vida, já que se faz maravilhas com uma lata de atum.

O meu almoço de hoje foi um potinho de cuscuz marroquinho (200 calorias) que não estava gostoso e uma saladinha de folhas, mas já não tenho idéia do que preparar para o jantar ou para o Pedro levar para o trabalho.

Para quem gosta da arte de cozinhar a criatividade não deve faltar, mas no meu caso ela passou longe, portanto aceito sugestões de pratos fáceis de preparar, coisas que vocês comem no dia-a-dia.

Confesso que uma vez uma nutricionista montou um cardápio mensal pra mim mas quem aguenta comer frango grelhado todo dia?

31 outubro 2007

Halloween


Hoje o Pedro teve que levar na mala essa roupitcha fashion para o concurso de fantasias que haverá na empresa por ocasião do Halloween.

Parece que também haverá uns comes e bebes com sangue humano, olho e miolos.

30 outubro 2007

Let's all hate Toronto

Tá todo mundo falando.
Confesso que a primeira vez que ouvi falar desse documentário fiquei confusa e me perguntando: por que odiar Toronto?

O co-diretor, Mr.Toronto, é um personagem fictício que parte para uma "Toronto Appreciation Tour" e viaja de costa a costa no Canadá tentando descobrir porque Toronto é uma cidade tão odiada.

A rivalidade começa em Hamilton por causa do futebol e isso pode explicar um pouco o título do filme, mas não pára por aí. O responsável pela façanha é um jornalista da CBC nascido em Montreal e com isso não preciso falar mais nada.

Entre as razões para se odiar a cidade, além do Maple Leafs, estão a poluição e a violência. Violência???

O único momento que assisti foi quando Mr. Toronto sai às ruas na Nuit Blanche e recebe centenas de abraços, inclusive do "mayor" de Toronto.

Segundo alguns o filme é mais uma declaração de amor do que de ódio à cidade e vale a pena ser visto para se conhecer o Canadá.

Bom, eu ainda não assisti e por isso não posso opiniar, mas fica aí a dica para quem quiser se arriscar.

Site Oficial: Let's all hate Toronto
Blog do Mr. Toronto


28 outubro 2007

Brincando de Lego

Estou em Toronto! Meu cunhado me trouxe para casa ontem e voltou por Niagara Falls ao invés de Buffalo para que eu pudesse dar uma espiadinha nas cataratas. É claro que não pude deixar de me lembrar do episódio do Pica-Pau descendo as cataratas num barril. Ah, não viu esse episódio? Então assista-o aqui!

Aproveitando que estávamos "motorizados" fomos até a Ikea comprar um sofá e outras cositas porque eu não aguentava mais sentar no chão. Minha coluna agradece!

Desta forma, domingo foi dia de brincar de Lego e montar as coisas. Confesso que sempre fui do tipo que prefere pagar para que alguém faça as coisas para mim, portanto, a experiência de ficar montando gavetas e sofás não foi animadora. Já o Pedro se divertiu bastante porque prefere fazer ele mesmo ao invés de pagar para fazerem.

Esta é uma faceta com a qual tive que me "conformar" aqui: eu mesma limpo a casa, dou banho nos cachorros e até abasteço o tanque do carro. Bom essa de abastecer merece um capítulo à parte porque o Pedro e eu quebramos a cabeça quando fomos para Pittsburgh mas depois de uns 10 minutos conseguimos descobrir como funcionava a bomba de combustível.

No final da tarde resolvemos dar uma saidinha e nos deparamos com uma temperatura de 6 graus! A previsão para os próximos dias é pior ainda; amanhã de manhã por exemplo vai fazer 1 grau com sensação térmica de -3! Nunca peguei uma temperatura tão baixa assim e é nesses dias que me lembro da Dani, portanto, aqui vai uma foto para provar que eu já me preparei para o frio e até já usei luvinha hoje.

26 outubro 2007

Senior's Night


Hoje à noite fui no que eles chamam aqui de Senior's Night. É uma homenagem que as escolas fazem aos estudantes que estão no último ano da High School, que é o caso da minha sobrinha Clarissa.
Ela faz parte da banda e da orquestra da escola tocando violino (chique, hein?).
A "cerimônia" começou com a abertura da banda tocando o hino americano e as meninas fazendo evoluções com bandeiras e aqueles "pompons" que as cheers leaders usam.
Fiquei com pena de todo mundo porque estavam com roupas fesquinhas para uma temperatura de 12 graus. Eu mesma, que esqueci de levar luva, quase congelei. Nessa hora lembrei da Dani que sempre me fala pra comprar luvas. OK, eu comprei mas ainda não usei, estou resistindo bravamente porque detesto cobrir as mãos e a cabeça mas parece que vou ter que aprender a gostar.


Apesar do frio a animação era total, principalmente porque depois da apresentação da banda haveria uma partida daquele futebol esquisito que eles têm aqui. O time da escola "Tigers" é favorito por aqui e ia jogar com o time de uma escola vizinha. Bom, eu não vi o jogo porque voltamos para casa por causa do frio mas me disseram que vencemos!

22 outubro 2007

Capachinho e Piaçava descobrem a América

Fila na fronteira CA-EUA

Estou na terra do Tio Sam com a Ísis e o Willy. A irmã do Pedro me pediu para ficar com ela nesta semana para ajudá-la no pós-cirúrgico e praticamente me "obrigou" a trazê-los por causa das filhas que adoram pets, portanto, esses cachorros viajantes estão levando um vidão.

Alugamos um carro pela National Car, já que até hoje nossas CNH's ainda estão válidas, mas eles só pediram um documento com foto e comprovante de endereço.
Nunca havíamos dirigido carro com transmissão automática mas depois de experimentar o Pedro virou fã incondicional, não quer mais saber de câmbio manual.

Ísis passeando no jardim

De Toronto a Pittsburgh são mais menos 4 ou 5 horas de carro mas demoramos bem mais que isso porque ficamos parados 1 hora e meia na fronteira . Foi duro, apesar de termos visto americano precisávamos pagar mais U$6 para nos liberarem a entrada e como todo o Canadá está vindo fazer compra nos EUA por causa da paridade do dólar a fila estava imensa. Chinês e indiano é o que não faltava.

Como também não somos de ferro fizemos nossas comprinhas também porque os preços ainda são menores que Toronto, bem como o imposto que é só de 6%. Para vocês terem uma idéia, compramos um home teatre e um notebook de 250Gb de HD e 2Mb de memória por $1091 (incluindo impostos). Um verdadeiro "negócio da china"!

Ainda quero aproveitar para ir ao Outback e ao Friday's antes de ir embora.
Na estrada passamos por vários Applebees mas a viagem demorou tanto que nem paramos em nenhum deles, mesmo porque segundo a Lei de Murphy, estavam todos do lado oposto da estrada.

A temperatura por aqui só não está mais agradável porque faz calor demais durante a tarde, mas depois das baixas temperaturas em Toronto (chegou a fazer 4 graus) eu não reclamo não.

19 outubro 2007

Instruções para Estrangeiros no Brasil

Como passarei a próxima semana na casa da minha cunhada em Pittsburgh resolvi pesquisar informações sobre a cidade, sobre o procedimento na fronteira entre Canadá e EUA e eis que me deparo com uma triste realidade...sobre o Brasil.

Neste site do governo canadense é possível encontrar informações, dicas e recomendações sobre vários países pelo mundo e isso foi o que achei sobre o nosso. O pior é que eu presenciei algumas das ocorrências relatadas como o ataque do PCC em São Paulo no ano passado, a crise no setor aéreo e o acidente com o avião da TAM que não deixou nenhum sobrevivente.

São Paulo and Rio de Janeiro states have faced incidents of gang-related violence, with targets including police stations, buses and businesses. Such waves of attacks can cause interruptions in public transportation and cellular telephone networks, business closures, and general inconvenience to the public. Canadians are advised to exercise caution, especially at night, when travelling throughout both states.

The city of Rio de Janeiro has recently experienced a significant upsurge in violence. On June 25, 2007, armed clashes between police forces and alleged criminals have caused three deaths at Galeão Antonio Carlos Jobim International Airport. During the past few months, violent incidents occurred on the highway leading to the airport, and several bystanders have been injured by stray bullets in the vicinity of the shantytowns. Although additional security forces have been deployed throughout the city, future incidents are possible and could involve firearms. Exercise extreme caution.

A dispute is ongoing between the government and air-traffic workers, which has lead to numerous strikes and demonstrations over the last months. In addition to frequent technical problems, this has caused severe travel disruptions in the Brazilian airspace. Consequently, Canadians should remain vigilant and expect flight delays, especially for flights to or from airports in the cities of Belo Horizonte, Rio de Janeiro, Brasilia and São Paulo, and during periods of increased demand for domestic air travel. The situation may also affect ease of movement in the vicinity and inside major airports, as well as the availability of nearby hotel accommodations, especially in São Paulo.

Several accidents involving domestic Brazilian airlines have occurred recently, including the crash of a TAM plane at Congonhas Airport in São Paulo on July 17, 2007. Until further notice, the main runway at Congonhas Airport will be closed during rainy weather. As a result, flights to and from São Paulo and other cities throughout Brazil could be delayed, cancelled or redirected. Before deciding to undertake domestic air travel in Brazil, Canadians should carefully evaluate implications for their safety, contact airlines for up-to-date information on flight alterations and other issues and modify their travel plans accordingly.

Serious crime, often involving violence, is high in a number of urban centres, including Rio de Janeiro, São Paulo, Brasília, Recife, and Salvador. Robberies involving tourists, some violent, have occurred in São Paulo, Rio de Janeiro and along the southern coastal beaches, even during the day. If possible, avoid beaches with poor visibility from the sidewalk and keep to beach areas where lifeguards are present. In Rio de Janeiro, areas outside of the south side (Zona Sur) should be avoided. Be vigilant in areas surrounding the Rodoviaria (bus station).

Foreigners have become the victims of violence, including sexual assault. Victims have been seriously injured or killed when resisting perpetrators. The use of firearms is common. Visitors are cautioned to avoid isolated areas, including beaches after dark, and to ensure living accommodation is totally secure. Any visit to a “favela” (shantytown) should be in the company of a reputable tour guide only. In November 2005, drug dealers invaded a city bus in the favela da Rocinha and set it on fire with passengers still inside. Four passengers died, and many more were injured.

Report all criminal incidents to the nearest police station. In Brasília and São Paulo, emergency numbers are: police: 190, ambulance: 192, and fire department: 193. São Paulo police can also be reached at (55-11) 3082-0160. In Rio de Janeiro, tourist police are at 3399-7170. The tourist police address is Leblon, Rua Humberto de Campos, 315.

Felizmente o país não tem só essa face pois é nele que estão nossas lembranças de infância e as pessoas que mais amamos. É por elas que um dia deixaremos de lado a parte ruim e voltaremos para matar a saudade.

16 outubro 2007

What's your name?

Parece uma pergunta simples mas não para mim.

Sempre tive problema com meu nome desde quando era pequena porque as pessoas nunca entendiam e falavam de tudo: Jane, Diana, Diane, Jene, mas nunca Jeanne (Ge-ã-ne).
Depois veio o sobrenome, mesmo vendo no meu RG que era "Aragão"sempre escreviam "Araújo".

Quando fui para a Bolívia eles também não conseguiam pronunciar então acabaram por me chamar de Jane ou Janet com a pronúncia inglesa.

Aqui no Canadá eu achei que não teria problemas já que é um país bilingue e meu nome tem escrita francesa. Ledo engano!

Às vezes chego a ser mal-educada com as pessoas porque digo "pode me chamar do que quiser, você não vai conseguir pronunciar meu nome mesmo".

Sempre que lêem Jeanne acabam pronunciando Jeanie (Dini) e aí eu viro "Jeannie é um gênio".

Por que tudo isso? Porque compramos um home phone e o Pedro quer que eu grave a mensagem na secretária eletrônica. E agora? Qual é o meu nome?
Eu gostaria que usassem a pronúncia francesa, já que a grafia permaneceria intacta, mas toda vez que eu digo que meu nome é francês eles não conseguem pronunciar!

Ó dúvida cruel! Eu deveria ter nascido Maria!


15 outubro 2007

Compras de Outono

Apesar de ter esfriado há pouco tempo já percebemos que o outono daqui é bem mais frio que o inverno paulistano, portanto, aproveitamos a promoção de 70% off da Mountain Equipment CO-OP e fomos às compras de roupas de inverno.

As dicas do nosso já conhecido amigo Jorge, que é gerente da loja, foram fundamentais para que pudéssemos gastar pouco e comprar o suficiente para nos manter aquecidos.

Além do casacão que vai nos proteger inclusive no inverno, compramos as "roupas de baixo" na categoria "mid weight" que é para baixas temperaturas. Se você for esquiar vai precisar de roupas mais quentes.

As "roupas de baixo" são basicamente um "minhocão" chamado long john para ser colocado sob a calça e uma blusinha silk mas que na verdade não é de seda, segundo o Jorge. Essa blusa fica justa no corpo e absorve a transpiração sem deixar a roupa molhada. O Pedro vai usá-la por baixo da camisa para trabalhar porque além do subway ele ainda fica esperando a boa vontade do streetcar passar e depois ainda tem que caminhar 10 minutos até o trabalho.
Nos dias de muito vento ele passa muito frio, tadinho.

Existem várias formas de se vestir, segundo fomos informados, e isso vai depender de quanto frio cada um sente. Não existe certo ou errado porque precisamos experimentar o frio primeiro e depois ver que tipo de roupa vai se adequar mais às nossas necessidades.

O que não pode faltar é uma bota impermeável por causa da neve derretida. Verifique sempre a faixa de temperatura que ela aguenta. Você vai encontrar botas de -10 a -40 graus.

Se esse também é o seu primeiro outono/inverno por aqui peça ajuda a alguém experiente para não comprar coisas muito pesadas ou que não estão de acordo com a estação. Eu, por exemplo, vi casacos super grossos e achei que eles aguentassem o inverno, mas muitos deles eram só para o outono. Procure por aqueles que têm down fill em seu interior; apesar de mais caros são bem mais leves e quentinhos (dica preciosa da Dani).

12 outubro 2007

Cortando a juba pela primeira vez

Sabe aqueles dias em que você acorda e diz "Não aguento mais meu cabelo"? Pois é, tenho acordado assim há alguns dias mas sem coragem de tomar uma iniciativa.

Venta demais nessa cidade e toda vez que saía ficava parecendo o Floquinho da Turma da Mônica com o cabelo todo na cara e não adiantava tirar porque o vento insistia em bagunçar tudo de novo. Como vi que não ia vencer essa batalha resolvi dar um basta e o resultado está aí.

Para quem entrou no primeiro salão que encontrou até que não ficou tão ruim, embora tenha passado longe da foto que eu levei para servir de modelo.

Quem sabe no mês que vem eu tomo vergonha na cara e resolvou fazer alguma coisa decente no cabelo. Por enquanto eu só queria tirá-lo da frente do rosto mesmo!

O próximo a ter a juba cortada será o Willy, só preciso decobrir onde vou levá-lo.

11 outubro 2007

Cadê o calor que estava aqui?


Que tempo louco! O que aconteceu com o calor?
Pelo que vi a previsão não é muito otimista porque a tendência é de continuar a esfriar.

Desse jeito acho que Capachinho e Piaçava só vão conhecer o High Park no ano que vem!

Tá bom, não vou reclamar, eu sei que vem coisa (muito) pior.

10 outubro 2007

Desconstruindo Mitos

Enquanto estamos naquela agonia de esperar pelo tão desejado visto de imigração aproveitamos o tempo para pesquisar tudo o que podemos sobre o Canadá, e em uma destas minhas pesquisas deparei-me com afirmações que me fizeram formar um pré-conceito sobre os canadenses.

Em abril deste ano escrevi um post sobre curiosidades e eis o que está lá:

"Não faça carinho em crianças que você não conhece e jamais toque nelas! No máximo sorria e diga: he/she is so cute."

"O mesmo vale para cachorros. SEMPRE pergunte antes: Can I pet your dog? ou Is she/he friendly?. Os donos não gostam quando a pessoa já vai tocando no cachorro, e depois nunca se sabe se ele (o cachorro) é bravo."

Encontrei estas afirmações lá na comunidade Maura, me ajuda!, que tanto me ajudou durante o processo de pesquisa.

Sinceramente não sei por que disseram isso. As experiências que venho tendo até agora são exatamente opostas a estas. Todos brincam com meus cachorros, acariciam e fazem perguntas; acho até que aqui as pessoas brincam mais com eles do que acontecia no Brasil (é só dar uma olhada no post em que os dogs andaram de metrô).

Com as crianças não é diferente; as pessoas já chegam fazendo graça e carinho. A diferença que percebi aqui é que as crianças parecem ser a coisa mais preciosa da sociedade. Tem até propaganda na TV com números de telefone para você denunciar violência infantil, seja na escola ou no círculo social em que colocam apelidos pejorativos em algumas crianças.

Outra coisa que me chamou a atenção é que você não vê menores soltos e abandonados pelas ruas pedindo esmola; até agora eu não vi sequer uma única criança perdida por aí. Não sei como é em outras cidades e províncias, mas aqui em Toronto elas são bem tratadas.

Quanto a cachorros de rua eu cheguei a ver alguns mas é muito raro. Acredito que o controle sobre a esterilização dos animais seja mais sério por aqui.

Já em outro post eu falo das diferenças culturais e como motoristas e pedestres canadenses são educados. Nada como a experiência para nos confirmar ou não os fatos e este com certeza não é 100% verdadeiro.

Desde meu primeiro dia aqui vi muitos pedestres atravessando fora da faixa, portanto, o mito do pedestre educado foi derrubado.

Motoristas: tão mal-educados quanto em qualquer lugar, com a diferença de que aqui eles têm a obrigação de dar preferência ao pedestre porque se atropelarem alguém as consequências são sérias e pesadas no bolso.

Adoram uma buzina, o que me surpreendeu. Apesar do pedestre ter toda a preferência e de carros pararem no meio da rua ao ver um cruzando as faixas, o mesmo não ocorre com outros motoristas. Já vi passarem em sinal vermelho, xingar e ultrapassar quando não deveriam, mas claro que isso é em menor escala.

Antes de chegar imaginei que os canadenses fossem o cúmulo da educação e polidez. De fato são, mas basta você fazer qualquer coisa "errada" ou fora do padrão que eles já vão logo se metendo e xingam até sua bisavó. Vi isso acontecer várias vezes com pessoas próximas ou desconhecidas.

Enfim, nada melhor do que fazer parte do "povo" para saber como ele vive.
Claro que o que escrevi não passa de um ponto de vista e de uma opinião muito pessoal baseada nos fatos que presenciei até agora; pode ser que outros tenham passado por experiências diferentes e vejam a coisa de outra maneira.

07 outubro 2007

PATH: uma cidade sob a terra

Este é um assunto que estava na minha lista há algum tempo. Para quem já está acostumado com a cidade não é lá grande coisa, mas para quem chega é um novo mundo a ser descoberto.

Nós mesmos ficamos impressionados com a dimensão e infra-estrutura que os caminhos subterâneos (PATH) possuem aqui em Toronto. São 27 quilômetros repletos de lojinhas, supermercados, praças de alimentação e serviços; uma verdadeira cidade sob a terra.

"Mais de cinquenta prédios/escritórios estão conectados através do PATH. Vinte estacionamentos, cinco estações de metrô, duas das maiores lojas de departamentos, seis dos maiores hotéis e até um terminal ferroviário. Há mais de 125 pontos de acesso e mais 60 pontos de decisão nos quais o pedestre deve decidir entre virar à direita, esquerda ou continuar em frente". É aí que a coisa complica.

Para quem é totalmente sem noção feito eu e ainda não consegue se localizar na cidade através do 4 pontos cardeais o PATH pode se tornar um labirinto sem fim.

Várias vezes fiz o caminho de ida mas não consegui voltar e isso se aplica inclusive ao caminho que liga noso prédio à Biblioteca Pública de North York, por exemplo, que apesar de não fazer parte do PATH é como se fosse um.

Mas o PATH não é exclusividade de Toronto. Montreal e Quebec City também têm o seu RÉSO.

01 outubro 2007

Domingo é dia de Feijoada!


Pois é, todo último domingo do mês o Centro Espírita Joanna de Angelis promove uma feijoada beneficente e nós fomos prestigiá-la mais uma vez.

Lembram-se que na semana passada fomos convidados para almoçar na casa da Maria Elena e do Jorge? Como eles disseram que gostavam muito de feijoada resolvemos levá-los conosco. Também convidamos a Alexandra, que já é figurinha carimbada em nossos fins de semana. O Gean também estava lá "fazendo uma boquinha".

Pra fechar o dia com chave de ouro nada melhor que um café de verdade e lá fomos nós pra padaria portuguesa que tem ali na mesma rua. Só percebemos que o tempo havia passado quando eram mais de 6 da tarde. Ô turminha que fala!

No próximo mês não haverá feijoada mas em novembro ela retorna! O evento é aberto a pessoas de todas as religiões ou de nenhuma delas pois o intuito é levantar fundos.

28 setembro 2007

Capachinho e Piaçava no Metrô


Nesta sexta-feira a Ísis e o Willy fizeram seu primeiro passeio de metrô e streetcar. Nem preciso falar que viraram a atração dentro do metrô, né?

Todos que se sentavam próximos de nós brincavam com eles, conversavam, afagavam e perguntavam se a Ísis era da raça Jack Russel Terrier. Eu nunca havia ouvido falar desse cão mas fui procurar no Google e achei essa foto aí ao lado. Não é que a Ísis parece mesmo com um Jack Russel? Mas duvido que ele seja tão praga igual a ela.

Os dois se comportaram tão bem que eu nem acreditei! A Ísis até deitou no meu colo, e olha que quando ela sai de carro fica em pé o tempo todo, nunca senta, parece um cavalo. Uma vez fomos de São Paulo ao Paraná e ela foi em pé durante as 11 horas de viagem.

A sensação de andar com cachorro no transporte público é bem esquisita, parecia que eu estava fazendo algo errado, escondido e que a qualquer momento iam pedir para eu descer mas não foi o que aconteceu. Os motoristas dos streetcars sequer olharam pra eles então fizemos nossa viagem tranquilamente. Só na volta que pegamos o metrô completamente lotado às 14h30 da tarde!!!! Aí sim foi difícil porque viajamos em pé e ainda tínhamos que ter cuidado para não pisarem nos coitadinhos, principalmente no Willy que é tão pequeno que até em casa a gente vive tropeçando nele, heheheh

Ah, as pessoas têm me perguntado sobre o apelido deles. Capachinho porque o Willy é uma bolinha de pêlos e quando deita fica parecendo um tapetinho e como ele é maria vai com as outras virou Capachinho.

A Ísis tem um pêlo duro e espetado que parece uma piaçava, daí o apelido.

Quem inventou isso? Só podia ter sido o Pedro!

É lógico!

Ok. Todo mundo está perguntando que questão complicada foi aquela da minha entrevista. Vou tentar reproduzi-la aqui. Trata-se de uma questão que envolve mais lógica e matemática do que propriamente programação. Em todo caso, ela foi proposta na segunda entrevista, pelo CTO da empresa. A princípio ele pediu para eu desenhar algum projeto que tivesse desenvolvido. Depois ele me veio com essa:

Considere uma empresa que produz peças: parafusos e porcas. Os parafusos pesam 11g e as porcas, 10g. Para atender a uma encomenda de porcas, foi separado um certo número de caixas, mas, por engano, uma das caixas continha parafusos, só que agora todas as caixas já estão fechadas. É preciso descobrir qual é a caixa errada!
Suponha-se um sistema automático que pode coletar uma determinada quantidade de peças de uma determinada caixa e guardar numa bandeja e pode também levar o conteúdo da bandeja para uma balança. A primeira ação é executada por uma função void pegar(int numPecas, int caixa); e a segunda por uma função int pesar(); embora isso seja meramente ilustrativo, porque não precisava escrever o programa, mas apenas demonstrar a minha maneira de raciocinar (se bem que essas funções acabaram me dando uma dica importante no final).
O problema é montar um algoritmo que execute essas operações (um programa que chame essas funções) para determinar qual é a caixa que contém parafusos em vez de porcas.
A princípio, ele disse que era apenas uma maneira de observar a minha maneira de pensar e resolver problemas. Por isso eu comecei com a solução mais simples: pegar uma peça da primeira caixa e pesar, depois uma da segunda e assim sucessivamente até encontrar um parafuso. Depois ele pediu para considerar a balança como um recurso caro que precisa ser otimizado e pediu para elaborar um algoritmo que executasse menos pesagens. Eu propus uma solução com busca binária (ele me pediu até a função matemática que descreve a eficiência da busca binária). Por fim, ele disse que a balança era um recurso muito, muito caro e perguntou se eu poderia fazer um algoritmo com o mínimo de pesagens possível. Ele até saiu da sala para deixar eu pensando. Se bem que a resposta me veio logo que ele saiu. Na verdade esse é um problema clássico de lógica que aparece em muitos livrinhos de passatempo. Apesar disso, depois que eu dei a resposta, ele disse que mais ou menos 90% das pessoas não conseguem chegar a essa solução.
Alguém mais sabe a resposta?

27 setembro 2007

Vai trabalhar, vagabundo!

Hoje não tenho como escapar. A Jeanne já está brava comigo porque ainda não escrevi um post dizendo que já comecei a trabalhar!
Depois de duas entrevistas (onde tive que responder até perguntinhas de lógica) fui contratado por uma empresa de jogos online. Embora muitas pessoas achem que deve ser muito legal trabalhar nesse tipo de empresa, eu vou cuidar mais da parte administrativa do site. Só de vez em quando é preciso testar se os jogos estão bem integrados com o resto.
Mesmo assim, tenho que reconhecer que o clima da empresa é mais descontraído. Fica num edifício antigo, no Distillery District, um lugar bem charmoso, perto (mas não muito) do centro da cidade. São vários edifícios antigos, com galerias de arte, lojas de decoração, restaurantes e alguns escritórios escondidos.
Acho que os edifícios são históricos e não podem ser reformados, o que cria uma atmosfera pitoresca no ambiente de trabalho. Tem até uma caldeira no meio de uma sala de reuniões.

Minha última entrevista foi na segunda de manhã. No final do dia perguntaram se eu não poderia começar a trabalhar já na quarta. Como não estou fazendo nada...
Passei o primeiro dia inteiro instalando e configurando o ambiente de desenvolvimento na minha máquina. Ou melhor, máquinas, porque lá todo mundo tem dois computadores para trabalhar. É tanta ferramenta que eu fiquei até com medo. E hoje, o segundo dia, fiz uma simulação no ambiente pré-produção. Não pude fazer muita coisa porque no meio da tarde, todos paramos de trabalhar para ir a uma festa em outro andar, organizada pelo pessoal que desenvolve os jogos para comemorar o lançamento oficial de um novo jogo na Internet. Tinha comida de todas as partes do mundo, bebida à vontade, de refrigerante até vodca, com barman e até DJ. Sem esquecer, é claro, das instalações de jogos para quem quisesse "experimentar". E ainda deram uma camiseta para cada um. Para completar, deram a sexta-feira de folga para todo mundo! Assim eu vou acostumar mal...

Outra coisa interessante nesse lugar é que fica pertinho do Cirque du Soleil. Por coincidência, é para lá que fui quando saí da festa, mas isso já é o assunto do próximo post.

23 setembro 2007

Torre de Babel

Choquequirao - Peru

Toronto é realmente uma Torre de Babel onde você pode encontrar pessoas de todos os lugares desse mundão.

No Job Start conheci a Maria Elena, uma boliviana que se casou com um peruano e mora aqui há 1 ano. Fomos convidados para almoçar na casa deles neste domingo.

A Maria Elena é um desastre na cozinha; para vocês terem idéia ela é pior que eu porque não sabe nem ferver água, é uma comédia.
Isso acontece porque na Bolívia a mão de obra é tão barata que qualquer família tem empregada, cozinheira e muitas vezes até babá. Desta forma, minha amiga disse que nunca precisou colocar o pé na cozinha, só que aqui no Canadá as coisas são bem diferentes.

Mas não pensem que ela está sofrendo não, porque o marido Jorge é um cozinheiro de mão cheia e não a deixa entrar na cozinha, lá é território dele! Ai, bem que o Pedro poderia pegar umas aulinhas com ele, né? Já pensou eu com cozinheiro particular em casa?

Mas, voltando à realidade, essa mistura de gente de vários lugares é muito rica porque você sempre aprende alguma coisa sobre o país do outro.

Além de cozinhar o Jorge também gosta de dar uma de mochileiro e em 2006 passou 3 semanas sem tomar banho, quer dizer, subindo umas montanhas em Choquequirao, considerada a irmã sagrada de Machu Pichu no Peru. E não vai parar por aí não! Ele disse que ainda falta percorrer a outra parte do caminho que ficou faltando e pretende fazer isso logo no início do próximo ano. Haja disposição!


22 setembro 2007

Fazendo compras em Kensington

Mais uma vez nos reunimos com nossos amigos Alexandra e Alan para uma agradável manhã/tarde no Kensington Market.

É incrível como aquele lugar é vivo e cheio de coisas para serem descobertas. A primeira impressão de quando se vai lá é de que só tem legumes e verduras na rua como se fosse uma grande feira, mas o Kensington não é só isso.

Você tem que se embrenhar pelas lojinhas e descobrir tudo o que elas têm para oferecer, desde paçoquinha, chá mate, guaraná e outros produtos brasileiros, passando por especiarias da Índia e até produtos portugueses, peruanos, mexicanos; enfim tudo o que você imaginar estará lá escondidinho em alguma prateleira.

Aproveitamos para almoçar ali mesmo em uma casa de empanadas chilenas. Assim como o mexicano em que fomos da última vez, esse restaurante não deixou a desejar no tempero, mas como tudo por ali, estava lotado.

Vale a pena reservar um sábado para "descobrir o Kensignton Market"; com certeza é um programa que já está em nossos futuros planos.

21 setembro 2007

Elephant & Castle


Ontem à noite fomos a um barzinho pela primeira vez e o escolhido foi o Elephant & Castle para o encontro do pessoal da comunidade do Fernando no orkut: Brasileiros Vivendo em Toronto.

Adoramos o bar, que tem uma atmosfera bem intimista e um cardápio variado e delicioso. Não bebo cerveja mas sou fã incondicional de melancia e de vodka com qualquer coisa, portanto é claro que minha bebida não poderia ser outra: um coquetel de vodka com xarope de melancia. Se não me engano é o mesmo xarope que colocam na soda italiana. Divino!

Eu havia me esquecido que não se fuma no interior dos bares daqui então já saí de casa achando que iria voltar com o cabelo e a roupa fedidos de cigarro, mas isto não aconteceu. AMEI!

O pessoal já está agitando um boliche para o próximo encontro. Enquanto isso, veja as fotos de ontem aqui.

14 setembro 2007

IKEA

A Ikea é ponto obrigatório para todo imigrante recém chegado e com pouco dinheiro no bolso. A loja é uma espécie de ETNA ou Tok Stok que temos lá no Brasil, embora eu prefira a Tok Stok porque tem móveis muito mais modernos e arrojados.
A loja daqui tem produtos para todos os bolsos e aqueles mais baratinhos têm qualidade superior ao que é vendido no Wal-Mart. Aliás, não comprem móveis no Wal-Mart porque a maioria que tenho visto é praticamente descartável. Muito móveis em exposição, inclusive, já estão caindo aos pedaços. Comprar lá é jogar dinheiro fora.

Um exemplo de móvel barato é esse rack para TV por $16,99:

Mas se você tiver espaço e bolso maiores pode levar esse daqui por "apenas" $179:
A loja que temos mais próxima daqui é a de North York.

Para quem não tem carro basta descer na estação Leslie do metrô e subir a escada rolante para pegar uma van que te leva até a Ikea. Ela passa a cada 20 minutos.

Boas compras!

12 setembro 2007

Health Card

Chegando aqui o newcomer tem que providenciar uma série de documentos: SIN, PR Card, Driver's Licence (para quem for dirigir), entre outros. Nesta semana tentamos providenciar o Health Card; digo tentamos porque só o Pedro conseguiu. Como eu não tenho nenhum comprovante de endereço além da cópia do contrato do apartamento não pude aplicar.

Fique atento porque nenhuma cópia de documento é aceita, todos devem ser originais e basta apresentá-lo lá na hora, não precisa levar cópia.

A lista de documentos contém 3 itens:

1- Comprovante de cidadania ou elegibilidade para aplicar para o OHIP: qualquer documento que prove que você é cidadão canadense ou possui algum outro status que dê direito ao Health Card. No nosso caso somos landed immigrants, então temos direito.

2- Comprovante de rediência em Ontario: foi o que eu disse no início do post, você vai precisar de um documento com seu nome e endereço provando que você reside em Ontario.

3- Documentos adicionais: é o que eles chamam de Support of Identity, ou seja, um documento que contenha seu nome e assinatura (o PR Card é um deles).

No caso do Pedro ele só apresentou o passaporte e uma conta da Rogers. Em algumas semanas ele receberá o Heath Card via correio mas só poderá utilizá-lo a partir do terceiro mês aqui no Canadá. Até lá contamos com o suporte de um plano de saúde contratado no Brasil através da AMEX.

Com os documentos em mãos e o formulário prenchido basta ir a um dos postos de atendimento e pegar uma senha.

Este blog fala sobre o Health Card para residentes temporários...eles não têm direito a um.

07 setembro 2007

Graduação no Job Start


Os posts têm ficado menos frequentes aqui no blog mas é porque andamos muito ocupados nessas 2 últimas semanas com a mudança de apartamento, a chegada de Capachinho e Piaçava e as tarefas do Job Start, que finalmente terminou hoje com um almoço internacional de confraternização.

Cada um levou um prato típico de seu país e como não era possível levar picanha ou feijoada, tivemos que levar pãezinhos de queijo e guaraná comprados lá no Nosso Talho na Bloor St. Nossos amigos da Marcha dos Pinguins falaram sobre esse "açougue/mercado" aqui.

O curso acabou mas é agora que o trabalho realmente começa porque já sabemos o que responder nas entrevistas (ainda precisamos praticar), onde e como procurar trabalho e ainda contaremos com a ajuda do Job Start durante 3 meses nos quais eles vão oferecer nossos serviços para as empresas e nos oferecer vagas que eles recebem por lá.

Como já havíamos feito um curso relâmpago como esse no Skills for Change não tivemos tantas novidades assim, mas o bom deste último é que além do trabalho de auto-confiança que eles fazem conosco ainda teremos essa ajuda para vencer a barreira do primeiro emprego canadense.

Ainda não temos 2 meses de Canadá mas para mim parece que faz muito mais tempo porque a ansiedade de conseguir trabalho na nossa área é grande. Sei que a média é de 3 meses, mas isso varia muito.

A partir de segunda recomeçaremos nossa busca, mas dessa vez do jeito certo!

02 setembro 2007

Olha quem chegou!


Esses 2 últimos meses devem ter sido duros para os meu pequenos porque saíram de casa, foram para hotelzinho, depois mudaram de novo e ficaram na casa de uma amiga minha que os tratou como filhos, o que me deixou mais tranquila.

Assim que cheguei ao depósito de cargas da Air Canada deu até pena porque eles tremiam como eu nunca vira antes, mas assim que os tirei da caixa eles se animaram.

Felizmente se comportaram direitinho durante a viagem e conseguiram segurar as "necessidades" para fazer em terra firme.

Acho que já expliquei aqui o procedimento para enviar animais como carga viva, então vou falar sobre a chegada deles.

Você deve ir até a Britannia Av. 2580 que é onde fica o depósito da Air Canada. Lá você fornece o AWB, que eu não sei o que é mas é um número que o agente de cargas no Brasil vai te passar.

Você recebe um papel e tem que ir até o Customer Service para pagar a taxa de inspeção veterinária de $37 e mais umas taxas municipais no valor de $11. Não espere ser bem atendido.
Esse prédio fica um pouco depois do número 2580 da Britannia. Você sai do depósito, vira à direita e segue até encontrar um prédio azul espelhado.

Depois de pagar as taxas você deverá retornar ao depósito, apresentar o comprovante de pagamento e pagar mais $50, só então seus pets serão liberados ali no prédio mesmo.

Tem um balcão no qual você se apresenta e espera por atendimento. Eu não esperei muito e o funcionário foi muito atencioso, mas pelas pixações que vi por lá os clientes não estão nada satisfeitos com a empresa e nem com o tempo de atendimento. Havia xingamentos de baixo calão e várias referências sobre a demora no atendimento como "wait 4 ever". Não resisti e tirei uma foto de uma das pixações. Reparem no "next 3 years" acrescentado ao final da frase:

Chegando em casa eles comeram bastante e depois fomos passear pelas redondezas.
Eles se adaptaram logo ao novo lar mas não desgrudam de mim um instante, principalmente o Willy.

01 setembro 2007

Home Sweet Home

Vista da sacada do nosso apartamento.

Depois de 1 mês e meio sem um cantinho que pudéssemos chamar de nosso, hoje finalmente nos mudamos para nosso apartamento. O Luiz,nosso roomate, nos ajudou a trazer as malas e algumas tralhas.

Essa foi uma das pimeiras "mudanças" que fiz sem chuva, mesmo no dia em que deixamos o hotel e fomos para a casa do Luiz caiu uma garoa fininha.

Fomos recepcionados com uma cesta de boas-vindas oferecida pela administradora do prédio. Achei a idéia excelente porque quando você se muda dificilmente tem coisas básicas à disposição. Geralmente você vai até o "mercadinho" mais próximo e compra o necessário.

À noite fomos até o Loblaws para comprar alguma coisa para comer mas achei os preços absurdos,porém, mesmo com preços altos eu vi carne estragada (esverdeada) à venda. Já vi que não é uma exclusividade do No Frills. O que me pergunto é se alguém compra isso!

Loblaws: nem tudo o que reluz é ouro.

26 agosto 2007

De volta ao Kensington Market

Dessa vez deu certo! Marcamos novamente de encontrar a Alexandra e o Alan no Kesington Market neste sábado.
Para quem não sabe o Kensigton é na verdade um conjunto de ruas perto da Spadina Av. e é o que realmente se pode chamar de "mercado multicultural" com produtos e pessoas das mais diversas (e ecléticas) nacionalidades. E é justamente por isso que você não deve ir achando que vai encontrar um ambiente bonito ou refinado, aliás, como muita coisa aqui em Toronto. Imagine se Mercado Municipal de São Paulo fosse a céu aberto sem aquela linda construção e mais apertadinho e antes da reforma de revitalização. Lembre-se que lá você come a melhor mortadela da cidade. Imaginou? O Kensigton é mais ou menos aquilo.

Mas voltando ao encontro com nossos mais novos amigos, podemos dizer que foi uma manhã das mais agradáveis (apesar da chuvinha fraca) em que ficamos jogando muita conversa fora, trocando experiências e comendo o famoso Bolo de Arroz português com um cafezinho "brasileiro" no Louie's (235 Augusta St). Mais uma vez, não se deixe levar pela cara de "butecão" do local.

Conversamos tanto que nos deu fome então fomos a um restaurantezinho mexicano bem simples ali perto mas nem por isso menos saboroso. Ah, e podem usar o banheiro porque estava impecavelmente limpo.

Novamente perdemos a noção da hora e só deixamos o restaurante depois das 2 da tarde porque tínhamos mais um compromisso: conhecer nossa (também nova) amiga Ana.

Através dela conhecemos no mesmo dia o casal Lu e Cris da Família GG, com que fomos de carona até Milton, uma cidade perto (pero no mucho) de Toronto. Lá encontramos a Lucia e o Sergio, que haviam chegado mais cedo.

A Ana é uma anfitriã de mão cheia e excelente cozinheira. A "reunião" também foi muito interessante, rimos, brincamos e trocamos mais experiências, que é a melhor parte de se conhecer pessoas, cada uma tem alguma coisa interessante para contar.

Infelizmente não pudemos encontrar as famílias da Ana e da Cris para um piquinique hoje lá no High Park porque tínhamos uma feijoada para comer com nossos mais novos amigos Alexandra e Alan, que nos apresentaram à Daniela.
Além da feijuca tinha um quiabinho com frango ótimo (para quem gosta de quiabo)!

Decidimos finalizar o almoço com um verdadeiro café expresso numa padaria portuguesa ali perto, na Dundas St. Aproveitando que eles tinham sobremesa, pedimos pudim de leite condensado (conhecido como "pudim caseiro") e pasteizinhos de nata (também conhecidos como pasteizinhos de Belém lá no Brasil).

Eu, como maníaca por coxinha, trouxe para casa algumas para matar a vontade. Aliás, se alguém tiver alguma receita de coxinha faça o favor de me passar, pois apesar de ser um perigo na cozinha estou disposta a me aventurar nesse setor. Se ficarem boas eu convido a dona da receita para experimentá-las!


23 agosto 2007

Satisfação garantida ou seu dinheiro de volta

Depois de dias cinzas e friozinhos hoje resolveu aparecer um sol com temperatura agradável. Resolvemos então tirar os patins que trouxemos do Brasil e sair por aí.

Recentemente consegui comprar um daqueles patins antigos de rodinhas paralelas como esse aqui:
E foi por isso que resolvi trazê-lo para cá, afinal deu MUITO trabalho pra achar, além de ser o único patins que nunca machucou meu pé.
Pra minha surpresa, também recentemente, descobri que aqui no Canadá esses patins ainda são vendidos neste site. :)

Depois de nossa patinação resolvemos comprar um cortador de legumes no Wal-Mart para preparar um delicioso hot dog.

Lá fui eu de volta pra casa toda contente porque ia poder picar as coisas sem ficar com a mão cheirando a cebola.

Resolvi começar pelo tomate: lá se foi o primeiro. Ficou a coisa mais linda, todo quadradinho, picadinho em pequenos pedaços (nesse momento eu já estava imaginando que delícia que ficaria o molho). Vamos então ao segundo: abaixo a tampa e "crack", 5 segundos de respiração suspensa e um pensamento "esse crack não foi do cortador que eu acabei de comprar".

Pois é, meus caros amigos, infelizmente foi. Minha alegria durou pouco, mas eis que me lembro de vários posts comentando sobre troca da mercadoria ou seu dinheiro de volta. Ah, não tive dúvida, lavei o treco, coloquei na caixinha, peguei a notinha e lá fui eu pro customer service do Wal-Mart já pensando que teria que dar 1 milhão de explicações pra moça.

Depois de uma fila razoável (como as pessoas trocam mercadorias aqui!) chegou a minha vez. Uma senhora apática me atendeu e somente quis saber qual era o problema pra escrever logo num papelzinho e grudar na caixa do produto: "Broken? " e depois perguntou se eu queria outra mercadoria ou o dinheiro de volta.
Ah, minha senhora, eu quero o dinheiro de volta, vai que eu compre outro desse ele quebre de novo?
E assim recebi todo meu dinheiro de volta com direito até a restituição do imposto cobrado!

Voltei pra casa toda contente pra preparar meu hot dog com acidente de percurso. De cada 10 vez que eu vou para a cozinha 9 eu me machuco.
Ontem preparei um bolo de caixinha e queimei o dedo indicador na travessa quente. Hoje quase perdi o polegar da mesma mão tentando abrir uma lata de polpa de tomate.
Acho que nunca sangrei tanto na minha vida. O corte ficou feio e profundo, mas o meu hot dog ficou uma delícia!