19 novembro 2007

Voluntariado

Através do blog do Gean ficamos sabendo do I Brazilian Film Festival of Toronto e resolvemos nos candidatar a voluntários no evento.

Fomos escalados para o último dia do Festival que foi ontem lá na Bloor Street.

Saímos de casa tranquilamente quando notamos que havia alguma coisa estranha no subway, pessoas com chifrinhos de rena, chapéu de Papai Noel...oh, era dia de Santa Claus Parade e ia começar justamente no horário em que teríamos que estar no cinema.

Descemos na Bathurst e resolvemos encarar a multidão, afinal o Festival precisava de nós! Empurra daqui, cotovelada dali e não saímos do lugar. Resolvemos então voltar, mas como??? A multidão não andava pra lado nenhum!

Meia hora depois, já suados de tanto contato com "calor humano" conseguimos percorrer os 2 metros que precisávamos para nos livrar dos "espectadores".

Que solução a não ser dar a volta no quarteirão e tentar a sorte? Foi a nossa salvação porque lá o pessoal tinha feito uma filinha para ir e outra para voltar então não tinha tanto empurra-empurra.

Já no 506 da Bloor fomos tomar nossos postos de voluntários. O Pedro e eu nos revezamos recolhendo as entradas e distribuindo pesquisa. Quando a coisa ficava mais sossegada dávamos uma espiadinha nos filmes.

O que eu consegui ver foi o "Minhocão", que como o próprio nome diz, é um documentário sobre o Elevado Costa e Silva em São Paulo.

Sinceramente fiquei sem saber qual era a desse documentário porque havia vários depoimentos desencontrados de pessoas que moram em frente ao Minhocão. Também mostraram um senhor nordestino que morou na rua por um tempo até conseguir comprar um cantinho lá por perto.
Tudo muito feio, muito pobre e sem sentido. Vazio de crítica social ou de qualquer coisa que fosse. Sem objetivo, totalmente descritivo.

Fiquei chateada porque temos coisas tão bonitas no Brasil mas os cineastas teimam em mostrar somente a pobreza, a miséria e de uma forma descontextualizada. A impressão que dá é que só existe isso por lá.

Um exemplo da falta de criativiade do filme foi o depoimento de um senhor que tinha uma loja em um dos prédios comerciais perto do Minhocão. Ele começou trabalhando lá como funcionário até que conseguiu juntar dinheiro e comprar o estabelecimento. Estabelecimento de quê? Como ele conseguiu juntar esse dinheiro? Que tipo de freguesia ele tem? A loja dele é um ponto tradicional ou de referência para os moradores da região? Não, sei! O que sabemos é que de funcionário ele passou a patrão, e só!

Mas tem a parte boa que foram as tomadas aéreas da cidade. Eu adoro São Paulo e enquanto via aquelas imagens ia dando um aperto no coração. Acho que foi a primeira vez que senti tanta saudade.

Tenho certeza de que se o filme tivesse sido dirigido pelo Antônio Abujamra em parceria com o Gregório Bacic eles conseguiriam fazer algo impressionante. Basta ver os "malucos" que o Bacic descobre no Centro de SP; só eles já dariam pano pra muita manga!

Mas opinião é algo muito particular e essa é a minha. Ainda bem que tem gente que discorda e com isso fazemos o mundo girar. Os canadenses amaram o filme! Um inclusive, veio lamentar que achava uma pena ter tão poucas pessoas na platéia porque os filmes são excelentes. Pois é, talvez para o pessoal que está fora da realidade isso seja algo diferente. Pra mim não, eu via isso todo dia.

3 comentários:

Unknown disse...

Acho isso de ser voluntário super legal, não sei aqui no Brasil até porque eu nunca fui, mas quando(se Deus quiser) eu for morar aí no país gelado, eu vou ser voluntário em tudo, até pra distribuir maconha no marijuana day(nem sei se é assim msm o nome :D)


abraço!

Anônimo disse...

Legal esse serviço, pois deu para curtir as duas coisas... o trabalho e os filminhos :0).
Bjs

Anônimo disse...

Tava bem afim de ir a esse festival, mas nao deu..
Bom saber que nao perdi muito..
Tambem to cansada de saber como eh nosso cotidiano no Brasil..

Bjs

;)