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25 março 2009

Você tem saudade de quê?

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Você já está no Canadá há algum tempo, sabe mais ou menos se virar, sabe pegar ônibus para ir aonde quer, e já entende como funcionam as coisas por aqui. Digamos que você já se considera parte de sua cidade, e não mais um recém-chegado absolutamente sem a mínima noção de nada.
Com o tempo a vida vai entrando nos eixos, criamos uma rotina e vamos levando, mas as lembranças sempre nos acompanham e uma música ou cheiro pode trazê-las ao presente, e aí dizemos “ Ai, que saudade de...”.

Esses dias estávamos passeando com os filhores na Mel Lastman Square. O Pedro chegou perto de mim e perguntou se era eu que estava usando perfume. Quando perguntei por que ele queria saber se era eu, ele respondeu que é porque ele sentiu o cheiro de quando chegamos aqui. Hein??? Ah, ele sentiu o cheiro do perfume que eu usava no dia-a-dia quando chegamos aqui e isso o remeteu ao passado.

Já acumulamos várias lembranças ao longo desses quase 2 anos no Canadá e do que mais tenho saudade é do tempo que tínhamos livre para fazer novas descobertas. Sinto falta daquele “ar de novidade” em tudo que fazíamos, mas pude ter um gostinho na semana passada quando conheci um ponto da cidade pelo qual nunca tinha andado, e aí me dei conta de que ainda tenho muita coisa para descobrir.

12 março 2009

Será um bom momento para imigrar?

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Apesar de ouvir que o Brasil foi pouco afetado pela crise em comparação a outros países, as pessoas continuam com seu propósito de tentar a vida em outro lugar; mas será que vale a pena largar um emprego estável e uma vida nos eixos para se aventurar no desconhecido e instável?

Muitas empresas congelaram os processos de contratação de novos funcionários pelos mais variados motivos, tendo como desculpa "a crise". Mas por que elas fariam isso? Uma empresa não pode simplesmente decidir que não vai fazer novas contratações por um tempo ou demitir parte de seus funcionários porque assim o quer? Ela precisa mesmo de uma desculpa para fazer isso? Está aí algo que não entendo, mas como dizem que muita coisa nessa "crise" é especulação, vou especular um pouco também para procurar entender o que está acontecendo.

Há quem ache que o momento para vir para o Canadá não é bom, afinal emprego já não estava dando em árvore antes, imagine agora.

Com o visto de residente permanente em mãos, é dado um prazo de 1 ano após a realização dos exames médicos para que se faça o landing, mas isso não siginifica que você é obrigado a ficar no país, e foi esta alternativa que algumas pessoas encontraram para não trocar o certo pelo duvidoso e nem perder o visto que lutaram tanto para conseguir.

O momento certo para retornar ao Canadá caberá a elas decidir. Enquanto isso, essas pessoas podem aproveitar o tempo para aprimorar (ou aprender) Inglês/Francês e melhorar suas qualificações profissionais, pois com este exército de desempregados a concorrência será maior ainda quando a crise começar a se despedir.
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26 janeiro 2009

Minha nova mania

Como descendente da geração dos anos 80, que teve coisas muito bregas mas outras muito legais, sou fã de um jogo que marcou a vida de muita criança daquela época e continua fazendo a cabeça de muito marmanjo: o Banco Imobiliário! Talvez você o conheça por Monopoly, e se já jogou sabe do que estou falando.


A foto, retirada da internet, é uma das primeiras versões do jogo no Brasil, bem parecida com a versão gringa que eu ganhei do Pedro no meu aniversário, e que nos tornou viciados instantaneamente. Começamos a jogar às 10 da noite de domingo e só fomos parar à meia-noite e meia (no auge do jogo) porque tínhamos que trabalhar no dia seguinte ("o trabalho escraviza o homem").

Consegui reviver emoções de mais de 25 anos atrás e não vejo a hora de chegar o próximo fim de semana para começarmos a jogar mais cedo.

Uma coisa interessante que percebi durante o jogo, e que não é possível avaliar enquanto criança, é que a forma que cada um joga reflete um pouco de como ele lida com dinheiro na vida real. É fácil perceber quem é mais gastador e tem um perfil investidor de alto risco e quem é mais conservador e que gosta de poupar.

Mas isso não é privilégio deste jogo. O War também revela perfis aventureiros, que vão à guerra com a cara e a coragem, e aqueles mais cautelosos e estratégicos. Qual dos dois é o seu?

17 dezembro 2008

Neve...e silêncio


Se tem uma das coisas que mais gosto quando neva bastante é o som que a cidade produz. Vou explicar.

Não sei se é impressão minha, mas depois que pára de nevar e a cidade está todinha branca, eu acho que os sons urbanos ficam um poucos "abafados" e isso me traz uma sensação boa, de tranquilidade.

OK, vocês vão dizer que é porque as ruas ficam mais desertas e os carros andam em baixa velocidade, produzindo menos ruído. Pode até ser, mas vocês hão de concordar comigo que alguma coisa muda, não é mesmo?

Olhando para esta foto eu quase consigo ouvir o "som do silêncio" que estava na rua pela manhã:


Tudo deserto, sem passarinhos fazendo algazarra nas árvores, e nem os habituais cachorrinhos saíram para seus passeios matinais.


Da próxima vez que nevar bastante (parece que não vai demorar muito), tente reparar nos sons que você ouve na rua e me diga se você notou alguma diferença.

A minha explicação para este "fenômeno" é que talvez a neve "filtre" um pouco dos ruídos, tornando a cidade mais silenciosa. Quem entender desse assunto pode confirmar minha teoria ou dizer se estou realmente viajando nas idéias.

26 novembro 2008

Saudade

Saudade dói e não tem cura, mas a notícia boa é que com o tempo a dor diminui.
Quem sai da sua terra e deixa amigos, família e lembranças, inevitavelmente vai sentir essa dorzinha, e com o tempo vai aprender a administrá-la. Tem um ditado que diz que “O tempo cura tudo” , mas não cura saudade.

Você pode decidir pôr um fim nela voltando para onde estão as pessoas que você quer bem, mas aí sentirá saudade do novo lugar que deixou para trás, não tem jeito. O ser humano cria vínculos durante a vida toda, sejam eles com pessoas, animais ou lugares. Ele sempre terá alguma coisa para lembrar e sentir falta, e é isso que em parte dá graça as coisas.
Eu morei na Bolívia há 19 anos e se disser que não sinto saudade estarei mentindo. Como eu disse, este é um sentimento incurável.

Estes dia vi uma expressão que me chamou a atenção lá no Entrevistando Expatriados. Segundo a entrevistada, que mora nos Estados Unidos há quase 4 anos, a frase é do Tom Jobim :

Viver nos Estados Unidos é bom, mas é uma merda; viver no Brasil é uma merda, mas é bom. Aqui tudo funciona, tem bons empregos, pagam bem, o pessoal valoriza seu trabalho, as ruas são limpas, não existe violência, o custo de vida é mais baixo, os produtos são mais baratos… mas falta o calor humano do brasileiro, as paisagens lindas do nosso país. E isso, já dizia Mastercard: Não tem preço. E no Brasil tem o grande problema da violência, da pobreza. Ninguém valoriza seu trabalho, ninguém quer pagar o que você merece. Você vive com medo de ser assaltado, não pode sair pra andar de bicicleta ou iPod. Não pode usar relógio em ônibus. Não há liberdade nesse sentido.”

Gostei muito do que ela disse porque é assim mesmo que nos sentimos, divididos. Bom seria se pudéssemos ter todas as coisas boas em um lugar só.

13 setembro 2008

Valeu a pena imigrar?

No post anterior falei sobre questões que deveriam ser levadas em consideração antes de se tomar a decisão de imigrar e ponderar se você estaria disposto a enfrentar todos os desafios e dificuldades que apareceriam pela frente.

Desafios enfrentados e dificuldades vencidas, é hora de avaliar se valeu a pena ter imigrado.
Conheço algumas famílias que vieram para cá sem que as duas partes que compõem o casal estivessem de acordo, e isso torna a vida bem difícil, já que um deles pensa em voltar ao Brasil o tempo todo. Há casos, inclusive, de pessoas que se recusam a aprender Inglês. Olha que não estou falando de um caso isolado, isso é mais comum do que pensamos!

Pois bem, quando você imigra uma coisa inevitável é a melhora do seu Inglês. Eu sei, você achava que falava muito bem lá no Brasil, mas chegou aqui e ficou se sentindo um índio falando, não é? Tudo bem, eu me sinto assim até hoje, mas pelo menos sou um índio que fala um pouquinho melhor depois de 1 ano por aqui. A quantidade de expressões que se aprende só pelo fato de estar em um país de língua inglesa é imensa, um considerável enriquecimento em seu vocabulário. Mas tem uma coisa que considero a mais importante neste processo todo e é algo que ninguém pode tirar de você: experiência de vida!

Duvido que a experiência que um morador de Toronto tem aqui possa ser equiparada à experiência de um morador de qualquer outra cidade no mundo por causa da riqueza multi-cultural. Sei que o multi-culturalismo é uma das bandeiras que mais vemos mas só quem vive esta realidade consegue entender o que isso significa.

Você vai acabar aprimorando seus conhecimentos de Geografia e História mesmo que não queira porque sempre vai encontrar pessoas de todas as partes do planeta, algumas até de países dos quais nunca ouviu falar.

Também vai aprender um pouco sobre religião porque apesar de não ser um assunto comum no ambiente de trabalho ela está presente na vida das pessoas e algumas coisas simplesmente não há como esconder: o fato dos indianos não comerem carne de vaca ou dos muçulmanos não comerem carne de porco e jejuarem em determinado período do ano, por exemplo. Uma hora ou outra você vai acabar conversando com essas pessoas sobre estes temas e vai aprender muita coisa sobre ele.

Seus valores mudam (acredito que para melhor) bem como a forma com que você via seu país. Acho que você fica muito mais crítico porque agora consegue ver a situação de um outro ângulo , o que te deixa muito mais chateado com os rumos do Brasil e muito mais certo de ter tomado a melhor das decisões ao deixá-lo.

Todas estas são coisas que você "ganha" ao imigrar simplesmente pelo fato de se relacionar com pessoas diferentes em um país que não o seu, são parte do "pacote". As outras coisas acabam vindo como consequência daquilo porque você lutou e nada melhor do que a qualidade de vida.

Quando falo de qualidade de vida não me refiro somente à segurança ou educação, mas ao próprio fato de morar em uma cidade infinitamente menor que São Paulo (no nosso caso) nos proporciona uma vida mais tranquila, com menos filas e stress (não que eles não existam).

Para nós imigrar valeu a pena sim e continua valendo, senão já estaríamos de volta à terrinha. Mas acho que mesmo para aqueles que tiveram uma experiência negativa acredito que o fato de terem vivido aqui lhes trouxe um aprendizado para a vida inteira. É impossível você deixar seu país, conhecer algo diferente e voltar com os mesmos conceitos.

10 setembro 2008

Vale a pena imigrar?

Muita gente me escreve perguntando se vale à pena imigrar e eu costumo dizer que não existe resposta para esta pergunta porque há tantos fatores envolvidos que o que acaba contando é a experiência pessoal de cada um.

João é casado, tem 3 filhos, bom salário e acaba de comprar um SUV que satisfaz suas exigências em relacão a um carro: ele pode pagar o financiamento, o carro é espaçoso para a familia que viaja muito e a marca que comprou não costuma dar problemas com manutencão.

José é recém-casado, não tem filhos e não costuma viajar de carro. Ele optou por um modelo compacto porque não tem muita necessidade de espaço. Além do mais, ele e a esposa são muito jovens, com o salário que têm seria difícil manter um carro grande, portanto a compra de um carro mais barato e econômico caberia melhor no orçamento deles. Aí vem a pergunta: vale a pena ter um SUV?

Como você viu, há muitos fatores a serem ponderados, além dos aqui citados. O que é adequado para uns pode não ser para outros, por isso sugiro que você conheça as experiências de outros e coloque-se no lugar deles. Você estaria disposto a passar pelo mesmo e a abrir mão de muitas coisas e pessoas que hoje são fundamentais na sua vida? Há outras questões a serem feitas e respondidas. Por exemplo, você estaria disposto a:
  • abrir mão do conforto e da segurança material que tem hoje?
  • ficar longe da família e amigos?
  • aceitar mais "não" do que "sim"?
  • enfrentar um inverno longo e rigoroso?
  • adaptar-se a culturas diferentes e respeitar essas diferenças, por mais que elas lhe incomodem?
  • ser forte para superar os inúmeros obstáculos que aparecerão?
  • ter paciência e perseverança para conseguir um novo emprego onde muitas vezes sua experiência anterior será negligenciada?
  • dar 2 passos para trás em sua carreria para dar 1 adiante?
Enfim, será que você está disposto a começar tudo de novo com novas regras que você ainda não conhece? Você terá que reaprender a dirigir, a ir ao supermercado, ao médico, a lidar com a escola e os novos amiguinhos dos seus filhos, etc. É um novo mundo a ser descoberto e as possiblidades são infinitas, mas o preço é alto. Você esta disposto a pagá-lo?

Lembre-se que se sua resposta for "sim" você deverá estar preparado tanto para o sucesso quanto para o fracasso. Você não poderá vencer sempre, algumas batalhas serão perdidas e só cabe a você decidir se vai entregar os pontos ou lutar pela vitória.

Este é só o início de seu questionamento. Perguntas muito mais profundas e complexas surgirão no decorrer da sua avaliação.
Pense nisso.