"Eu não agüento, não agüento Eu não agüento, não agüento É de noite, é de dia Mão na cabeça e documento"
(Titãs)
Pois é, eu também não aguento mais! Como choveu o dia
todo em São Paulo resolvi dar uma voltinha para poder exercitar o velho esqueleto e não criar mofo no sofá.
Antes de ir trabalhar o Pedro me deixou no shopping
Metrô Santa Cruz que fica aqui pertinho de casa. Enquanto a chuva não parava eu fiquei andando por lá. Assim que decidi voltar para casa caminhando deparei-me com um "sujeito" que me deu uma encarada na saída do shopping, aí já fiquei preparada para aqueles comentários super chulos e constrangedores que criaturas do tipo dele costuman dirigir às mulheres. Enganei-me. Ele me deixou passar e começou a caminhar no mesmo sentido que eu.
Chegando na esquina, atravessei e segui meu caminho....o sujeito na minha cola. De vez em quando eu parava para ter certeza de que ele realmente estava me seguindo. Sim, não havia como negar. Enas vezes que ele caminhava à minha frente ficava olhando para trás o tempo todo.
O trânsito estava parado na rua Pedro de Toledo, então fiz que ia atravessar. Ele ficou na calçada me esperando passar para o outro lado. Desisti e fui caminhando em direção ao ponto de ônibus que estava cheio de gente.
Desisti de parar no ponto porque já fui assaltada num. O assaltante até me perguntou naquela noite se eu já tinha rezado o Pai-Nosso...mas isso é outra história.
Olho para trás e lá está o sujeitinho de camisa amarelo ovo e uma mochila azul. A mão esquerda sempre no bolso. Será que ele tinha uma faca com ele?
Eu não quis descobrir. Comecei a procurar um lugar para me esconder, um restaurante ou qualquer outro local com muita gente.
Finalmente, resolvi pegar o sentido oposto à minha casa e encontrei um segurança em frente a uma casa. Pedi a ele que me deixasse ficar ali por um instante porque estava sendo seguida.
Nisso, aquele sujeitinho da camisa amarela passar por nós como se nada fosse e parou na esquina, provavelmente me esperando. Logo sumiu.
Devo ter ficado entre 10 e 15 minutos conversando com o segurança e ele me disse que nessa época de festas, quando todos estão com o décimo-terceiro no bolso, esse tipo de coisa é comum.
Ele me contou que o shopping está cheio de covardes do tipo que me seguiu. Eles ficam só olhando para escolher a vítima certa: geralmente mulheres sozinhas como eu!
Alguns montam duplas em motocicletas e assaltam as pessoas nos semáforos e até mesmo em ruas com menor movimento.
Ah, é CLARO que não conseguir encontrar nenhum policial por perto. Se nada me aconteceu foi graças à minha experiência anterior com 7 assaltos, que me deixou antenada e desconfiada de qualquer pessoa que se aproxime de mim e graças também àquele segurança cujo nome nem me lembrei de perguntar.
É bom saber que ainda existem almas boas nesse país.
A segurança é um dos motivos pelos quais optamos por imigrar. Hoje, mais do que nunca essa razão se tornou mais forte.
É uma pena, mas cada vez mais tenho certeza de que São Paulo se tornou uma cidade inviável...pelo menos para nós.
