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07 dezembro 2009

Salsicharia Pavão: uma boa surpresa

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Hoje tive uma surpresa muito boa em termos de honestidade.
Uma vez a cada dois ou três meses eu vou à Salsicharia Pavão, lá no bairro Português, para comprar carne e alguns produtos brasileiros (como pão de queijo, claro), e foi o que fiz neste sábado depois de passar muito tempo sem aparecer por lá. Desta vez comprei pouca coisa, e achei estranho quando a compra passou dos $100, mas eu estava com muita pressa e havia pedido uma carne mais cara, então imaginei que esse era o motivo do alto valor.
Como seguro morreu de velho, à noite fui conferir o recibo para ver por que a carne tinha saído tão cara, e eis que quase caio de costas quando percebo vários itens caros que eu não havia comprado, tipo carne de porco e até uma tal de "farinheira". O valor das coisas que eu não comprei superava o valor das coisas que realmente comprei.

No domingo de manhã levantei e fui correndo à Salsicharia para reaver meu rico dinheirinho, mas esqueci de verificar no site o horário de funcionamento, e eles não abrem aos domingos.

Saí do trabalho hoje e fui para lá, mas já sem esperanças de reaver meu dinheiro, pois eu não tinha como provar o que não tinha comprado.
Cheguei lá e expliquei cuidadosamente à portuguesinha o que ocorrera. Como eles já haviam feito o fechamento do caixa no sábado, ela não tinha como verificar a informação que eu lhe dera, mas me disse que provavelmente a pessoa havia esquecido de fechar a conta do cliente anterior antes de passar a minha, aí pensei "pronto, agora sim é que eu vou ficar no prejuízo", mas que nada! Quando vi, lá estava ela me estendendo a mão com a diferença a mais do que eu havia pago.

Não é a primeira vez que isso acontece comigo. No Loblaws eu quase paguei coisas a mais duas vezes. Numa delas a moça do caixa passou o mesmo produto duas vezes na registradora, e da outra vez ela passou um produto que estava em promoção, mas quando ele foi registrado estava $3 dólares mais caro. Eu não tive dúvidas: pedi para ela cancelar o produto porque eu não ia levar.

Há algum tempo li que existe, em média, 25% de erro na hora de escanear ou cadastrar produtos no mercado, ou seja, o cliente paga 25% a mais do que realmente compra, então fica aí a dica para você ficar de olho na hora de passar suas compras no caixa, pois você pode estar pagando coisa que não comprou ou estar pagando mais por itens com preço errado.
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02 novembro 2009

Online ou Presencial - II?

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Como falei em um post anterior, estou fazendo um curso presencial de FrameMaker, então vou colocar aqui algumas impressões e algo mais.

Somos 4 alunos, todos canadenses (menos eu), inclusive o instrutor. Ele e um outro aluno são de origem francófona, mas essa história eu conto depois.

Ao contrário da aula online, a aula presencial é bem formal, sem muito espaço para piadinhas ou brincadeiras, mas acho que isso é por causa do tipo de pessoas que estão fazendo o curso. Todo mundo é meio tímido e fechado. Além do mais, o curso exige bastante de nós, então estamos sempre muito concentrados tentando absorver todo o conteúdo, que é complexo.

Na hora do almoço é cada um por si.

O francófono e outra aluna, que moram em Waterloo e vêm juntos de carona, também não almoçam juntos. Na primeira aula, ao descobrirem que moravam perto, combinaram de usar apenas um carro para economizar combustível e estacionamento, mas o “relacionamento” acaba aí, é puramente “comercial”.

Assim que retornamos do almoço, o instrutor sempre quer saber o que cada um comeu. Aliás, essa curiosidade sobre a alimentação alheia é algo comum aqui em Toronto. Toda vez que levo comida para o trabalho, quem está comigo na cozinha quer saber o que eu trouxe, como preparei e se está gostoso.

No começo eu me sentia meio invadida, mas depois vi que é cultural e que todo mundo faz isso. Acabei me acostumando, mas ainda não consigo ser cara de pau e pedir para um colega abrir a marmita e me mostrar o que ele vai almoçar.

Online ou presencial? Eu prefiro online por diversas razões, e a principal é que posso ficar no conforto da minha casa assistindo aula de pijama.

No meu caso, ambas as modalidades funcionaram bem, pois aprendi bastante, mas acho que o online é mais puxado, pois tem assignments complicados toda semana.

O melhor de tudo é que quando você colocar esses cursos no seu currículo, ninguém vai saber se você cursou online ou presencial, pois o que importa é o resultado final.
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26 outubro 2009

O que comemos aqui que não comemos lá

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Este é um dos assuntos sugeridos por vocês. Como estou meio sem tempo e com bastante preguiça, vou falar sobre algo que não exija pesquisa. A Leticia perguntou sobre a nossa alimentação, se já incluímos pratos “locais” ao nosso cardápio e quais seriam nossos favoritos.

No caso do Pedro, qualquer junk food com bastante carboidrato tá valendo. Ele adora o Baconator do Wendy’s. Não que eu não goste de porcaria, mas não fui agraciada com um corpinho esbelto como o dele, que não engorda com milhares de calorias além do necessário. Portanto, limito bastante a ingestão de carboidratos, frituras e outras gostosuras que só nos fazem engordar.

E falando em carboidrato, adoramos massa, seja ela qual for, e aqui viramos fãs do molho Alfredo, que era quase impossível de encontrar no Brasil.
Aqui é muito comum comer macarrão com vegetais, tais como brócolis e cenoura. Acho uma alternativa mais saudável e menos calórica à nossa tradicional macarronada italiana cheia de molho de tomate.

Sorvete, só compramos Hagen-Daz, já que vira e mexe está em promoção no mercado e dá para levar 3 potinhos por 10 doletas.

Molho Barbecue: virou amigo do nosso franguinho ao forno. Na categoria frango, aderiamos às chicken wings (sem pele) que são adoradas pelos canadenses também. Existem “restaurantes” especializados no assunto e que só servem chicken wings.

Bagel: substituiu meu pãozinho com manteiga na chapa. Claro que não é a mesma coisa, mas quem não tem cão, caça com gato.

Donuts: adoramos as famosas rosquinhas do Tim Hortons. Engraçado mesmo é quando estamos tomando nosso chocolate quente e aparecem policiais para comprar as "rosquinhas". Sempre me lembro das sátiras nos filmes com esse tipo de situação.

Também passamos a apreciar pratos de outros países que são muito comuns aqui:
  • Cozinha indiana: adoramos o butter chicken (frango com molho de tomate e um monte de especiarias) e o chicken biryani (arroz bem temprado com pedaços de frango).
  • Cozinha japonesa: o pessoal do trabalho me ensinou a gostar de ramen, uma sopa de noodles e alguma outra coisa que você escolher para adicionar à ela. O caldo tem um gosto forte de alho que eu adoro!
  • Cozinha koreana: todos já devem ter ouvido falar do korean barbecue. Tem um restaurante aqui perto de casa muito bom (não lembro o nome).
  • Cozinha thailandesa: embora a maioria dos pratos sejam pra lá de apimentados, alguns são parecidos com o nosso. É uma opção barata e alternativa ao fast food. Costumamos pedir um “picadinho” de frango ou de carne, acompanhado de arroz. O prato dá para 2 pessoas e saiu por $13, já com tip inclusa.
  • Cozinha mexicana: pagávamos uma fortuna para comer chilli no Brasil. Aqui vendem baratinho no Wendy’s. Também passamos a apreciar as quesadillas, “fajitas” e tacos.
  • Cozinha “canadense”: acho que esta está mais para americana, mas tudo bem. É possível encontrar pork ribs com molho barbecue em qualquer lugar, tipo aquela di-vi-na do Outback. Eu, infelizmente, não posso comer carne de porco porque passo mal, mas uma vez por ano eu encaro as consequências.
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02 setembro 2009

Yorkville e o "incidente do café"

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Yorkville

No domingo resolvemos conhecer uma creperia autenticamente francesa: Crêpes à Go-Go.

O local fica na neighborhood de Yorkville, em downtown, um lugar refinado e muito bonito, com várias opções de restaurantes e cafés europeus, especialmente franceses e italianos. By the way, tem um dos metros quadrados mais caros da América do Norte, ficando em terceiro lugar. Infelizmente estava sem minha câmera, então não pude registrar a beleza das ruas, mas consegui algumas fotos na internet dos locais por onde passamos.

Para vocês terem uma idéia de como as coisas são caras por lá, entrei em uma boutique para cães e deparei-me com uma botinha para cachorro por $125! E era praticamente igual à que meus cachorros têm e que não chegaram o custar $25. É, o bairro é para quem pode, não para quem quer.

Yorkville Park

Já a creperia é um assunto à parte. Nossa experiência por lá foi, no mínimo, engraçada.

Para começar, a dona e as atendentes são francesas, então não se espante se elas começarem a te atender em Inglês e terminarem em Francês. Uma vez anotados os pedidos, eles são solicitados em Francês no balcão.

Ao receber seu crepe, a atendente gentilmente te ensina a segurá-lo sem queimar as mãos (quase impossível), já que eles não são servidos em pratos com garfo e faca, e aí é um tal de “Attention, c’est chaud!” prá lá e pra cá.

Bom, a parte da comida transcorreu deliciosamente bem, com direito a crepe salgado e finger crepe doce, mas na hora da bebida... Eu apelidei o caso de “o incidente do café”. Vamos a ele.

Pedi um cappuccino, mas a máquina estava quebrada, então a atendente me sugeriu um café au lait, que também era feito com café espresso. Poucos instantes depois recebo meu café au lait um pouco amargo, principalmente porque eu havia provado da deliciosa e doce limonada com hortelã e cana-de-açúcar do Pedro.

Yorkville

Chamo a atentende e peço açúcar. Para minha surpresa, ela me pede para provar o café para me certificar de que realmente precisava de mais açúcar. Provo e digo que sim. Ela insiste mais duas vezes e quando eu falo pela terceira vez que eu gostaria de mais açúcar, ela some. Penso “foi finalmente buscar meu açúcar”.

Alguns segundos depois aparece sua mãe, dona do café (Madame Gogo), e a história do prova-o-café-de-novo se repete.

Indignada com minha insitência, ela me pergunta se eu havia bebido da limonada do Pedro (e diz que hortelã não "combina" com café), e me traz uma garrafa de água para limpar o paladar e provar novamente o café. Na verdade, até que ele não estava realmente amargo, mas para meu gosto eu preferia um pouquinho mais doce.

Depois de perder a conta de quantas vezes provara o café, desisti do açúcar e já me imaginei sendo escurraçada do local por pedir mais açúcar (eu não sabia se ria ou chorava da situação). Nisto, a Mde. Gogo diz que o café foi feito na medida certa para eu poder apreciar seu verdadeiro sabor, pois no Tim Hortons as pessoas pedem café e o entopem de açúcar, alterando assim seu sabor. OK, if you say so...

Fiquei um pouco assustada com a situação e me perguntando se os restaurantes na França também eram assim, mas ao mesmo tempo eu tinha vontade de rir da situação surreal que encarei com bom-humor.

Se vamos voltar lá? Mas é claro!!!! É o melhor crepe da cidade e fomos bem atendidos apesar do incidente do café, que serviu para tornar o local mais “original”.

Ah, as substituições de ingredientes dos pratos não é muito bem-vinda, mas não porque vai dar trabalho, e sim porque tudo foi criado com carinho e de forma balanceada para que você tenha uma boa experiência com os sabores. Caso ainda assim você insista, é cobrada uma taxa de $1.

Parece um local nada convidativo a uma visita, mas garanto que vale à pena e que todo mundo vai te tratar muito bem desde que você não peça mais açucar no seu café! rsrsrs
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14 julho 2009

Elora e Mennonitas

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Mennonitas: foto tirada neste domingo

O Canadá não é só Toronto ou Missisauga, onde o que menos tem é canadense de verdade. É preciso viajar um pouco para se conhecer esse povo, e foi isso que fizemos neste fim de semana.

Elora é um vilarejo que fica a mais ou menos 2 horas de Toronto, perto de Guelph. Eu diria que é conhecida por seu centro histórico e pelos mennonitas que moram lá, mas o vilarejo não é propriamente “conhecido”. Quando comentei com meus colegas canadenses que eu havia estado lá, a pergunta geral foi “onde é isso?”

Downtown Elora

Saindo do miolo da GTA o que se vê são fazendas, muitas e de todos os tipos. A maioria das casas é bem espalhada, longe umas das outras. No inverno é um deserto de gelo, que apesar de bonito dá uma sensação de que não existe mais ninguém no mundo além de você. E é isso o que os mennonitas, habitantes de Elora, fazem: cultivam a terra.

Os mennonitas são descendentes diretos do movimento anabatista do século XVI, contemporâneo da Reforma Protestante.O que mais me chamou a atenção na religião deles foram as roupas e os “carros”. Eles se vestem com roupas do tempo da minha tataravó e só dirigem carroças, já que progresso e tecnologia são palavras que não estão em seu vocabulário. Eles também não utilizam energia elétrica, telefone e nem podem receber tranfusão de sangue.

Ouvi falar que a região de Waterloo também tem bastante desses habitantes pitorescos.

Carroça que os mennonitas utilizam para se locomover.

Os mennonitas bolivianos dizem que com pneus nos tratores é mais fácil para que os jovens saiam de sua comunidade para beber ou comprar bebida, por isso utilizam tratores com rodas de ferro. Quanto à eletricidade, afirmam que é um pecado, pois ela facilita o trabalho humano. Para eles, o trabalho tem que ser duro.

Veja mais fotos aqui.
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25 abril 2009

A importância de se falar o idioma local

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Há algum tempo coloquei aqui uma reportagem polêmica sobre a legitimidade de se permitir que pessoas que não são fluentes em Inglês ou Francês possam ser cidadãs canadenses. Pois bem, a maioria dos comentários apontou para a importância de se falar o idioma local para se exercer a cidadania, ente outros aspectos.

Este post do BogTO mostra uma situação em que a falta de fluência ou desconhecimento total do idioma, que é o caso, foi uma barreira para a investigação policial de um suposto crime. O post deixa muito a desejar, mesmo porque ele não sabe dizer se a pessoa envolvida na situação é imigrante ou turista, mas gostei do tema porque me levou à reflexão.

Nele, o autor questiona se a polícia, bombeiro e paramédicos de Toronto deveriam ter conhecimento de várias línguas para salvar pessoas, já que a polícia e os paramédicos foram incapazes de descobrir por que um rapaz (que só falava Espanhol) estava jogado no meio da estrada às 2 da manhã com ferimentos no rosto.

Como disse, o post é meio pobre, mas os comentários feitos sobre ele dão um bom pano pra manga. Há opiniões de todo tipo, como os sempre presentes gatos pingados racistas, que são contra imigrantes, ou aqueles que acham que o governo é muito benevolente disponibilizando tantos serviços em várias línguas para a população de Toronto. Neste sentido é realmente de admirar o esforço do governo e até de instituições privadas, como Bancos que querem atrair mais clientes, em disponibilizar informações e serviços nos mais diversos idiomas. Claro que isso não ocorre porque eles são "bonzinhos", mas porque o imigrante representa dinheiro, seja como consumidor ou pagando impostos.

O ponto comum ente meu post anterior e o post do BlogTO, é a importância que as pessoas vêm no fato de imigrantes terem sim que falar um dos idiomas oficiais do Canadá, mas o interessante é pensar o outro lado: será que as autoridades também deveriam ser multilíngues?


27 fevereiro 2009

A hora do almoço

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Levar marmita para o serviço não é uma regra, muito menos almoçar em frente ao seu computador, mas sempre há aqueles que preferem este estilo de vida, seja por cultura, para economizar dinheiro – já que não temos vale refeição – ou simplesmente por gosto mesmo.

Como não gosto, não sei e não quero cozinhar, frequentei os mais diversos restaurantes/muquifos (unicamente asiáticos) durante os 3 primeiros meses de trabalho. Comida chinesa nunca foi o meu forte, e depois desse “período de experiência” com meus colegas chineses, regado a muito desarranjo intestinal e culminando em dores de estômago fortíssimas, resolvi que era hora de tomar uma atitude.

Não, não comecei a cozinhar, embora isso ocorra ocasionalmente. Prefiro gastar o pouco tempo livre que tenho fazendo coisas mais agradáveis ao invés de ficar pilotando fogão. A saída encontrada foram as comidas congeladas, que aqui existem abundantemente, com muita variedade e preços convidativos.

Sei que não é muito saudável, mas foi a melhor forma que encontrei de comer com variedade, sem desperdício de alimentos e ainda fazendo economia. Para isso, tenho optado por congelados que contenham mais vegetais e menos calorias, o meu preferido é o Grilled balsamic chicken, da Stouffers, seguido pelas pastas da linha Bistro.

Monto meu cardápio de acordo com as promoções da semana nos mercados. O Loblaws tem promoções ótimas de comidas congeladas a $0.95 centavos, desta forma, meu orçamento com almoço caiu de $200 para $40 por mês. O bolso agradece!

Claro que nem só de comida congelada vive um ser humano, então sempre levo salada para acompanhar esses pratos. Esta minha nova prática, aliada a 20 minutos de exercícios na academia de segunda a domingo, fizeram com que eu emagrecesse 3 quilos! Agoram só faltam mais 7.

05 fevereiro 2009

Trabalhando no Canadá

Muita gente deve estar curiosa para saber como é o ambiente de trabalho aqui no Canadá. Vou falar de Toronto e dos locais onde trabalhei porque, assim como no Brasil, cada empresa tem sua própria cultura e particularidades.

Hoje tenho um full-time job (o que seria o famoso trabalho "de carteira assinada"), mas aqui não existe carteira para ser assinada, apenas um contrato como o que assinamos no Brasil, que especifica nosso direitos e obrigações, bem como seu salário.

Trabalho das 9 às 5 da tarde e até hoje não sei se isso inclui 1 hora de almoço ou não porque muita gente sai para almoçar e demora até mais de 1 hora. A maioria dos gerentes (exceto o meu) não se preocupa com o horário dos funcionários e dificilmente tem alguém no escritório antes das 9h30. Faço parte do time de desenvolvimento cujos programadores estavam acostumados a chegar lá pelas 11 da manhã, mas como temos negócios com o Egito, meu chefe começou a pegar no pé do pessoal para chegar mais cedo. Agora eles chegamàs 10h30.

Há 3 tipos de empresas aqui: pública, privada e governamental (corrijam-se se estiver errado). A privada fala por si mesma, possui um dono que retém todas ou parte das ações da empresa. A governamental também não precisa de explicações, são as empresas mantidas pelo governo para servirem à população. Já a empresa pública, que é o caso da minha, possui váriso acionistas (investidores) e cada funcionário recebe uma quota em ações quando é admitido para trabalhar.

Trabalhar aqui não é nenhum bicho de 7 cabeças, e o tipo de figuras que encontramos no Brasil, também encontramos por aqui: o funcionário abelha (que só faz cera, e nada de produtivo), aquele chefe que quer tudo para ontem, o funcionário, certinho, o que não está nem aí para nada, e o funcionário que vem trabalhar de chinelo! Sim, este ser existe e é mais comum do que se imagina.

Na minha empresa, além do cara que vem trabalhar de chinelo no verão, tem dois caras que usam aquelas sandálias de couro de velho, deixando as unhas enormes e o calcanhar cascudo à mostra. No inverno eles continuam com a mesma sandália, mas acrescentam uma meia, tornando a cena pior ainda!

Claro que não posso falar por todas as empresas, apenas pelas quais conheço, e o que mais gosto aqui é que se eu sair às 5 da tarde em ponto, ninguém vai achar ruim ou fazer piadinha. O trabalho faz parte da sua vida privada, e não o contrário. Existem aqueles dias em que você não tem hora para sair por causa do release de um projeto, mas isso é exceção, e não regra.

Outra coisa maravilhosa é que ninguém fica se tocando, dando beijinhos ou abraços. Apertos de mão são bem-vindos em ocasiões como aniversário, por exemplo.Onde trabalho é costume as pessoas se reunirem e pagarem o almoço do aniversariante, e você não rpecisa se preocupar em receber beijinho no rosto daquele chefe nojento ou do colega pegajoso. Isto não acontece!

Um dia desses meu colega colombiano (que virou meu amigo pessoal) estava saindo de férias perto do Natal e me pediu um abraço na frente do meu colega canadense. Eu quase morri de vergonha porque ninguém se abraça na empresa, mas como somos latinos temos uma desculpa, né? Mas depois chamei meu amigo de lado e pedi para ele nunca mais me colocar numa situação como esta. Pois é, às vezes os latinos têm "calor humano" demais. rsrssrs

Aproveitando a ocasião, este blog entrará de férias a partir de amanhã. E nós também!
:)

14 janeiro 2009

Pelados no Trem

Essa cidade continua me surpreendendo sempre. É cada uma que contando ninguém acredita!

A última foi a No Pants Subway Ride ocorrida no sábado passado onde aproximadamente 300 pessoas literalmente tiraram suas calças dentro do metrô. O evento foi considerado um sucesso, já que no ano passado apenas 100 pessoas participaram.

O pequeno grande detalhe desta aventura é que a temperatura no dia era de -9C!!! Tudo bem que os trens têm aquecimento, mas as estações costumam ser geladas.

As pessoas foram divididas em 6 grupos e embarcaram em vagões distintos partindo da Queens Park Station, mas este não foi um evento exclusivo de Toronto! Muitas cidades americanas também participaram!

O melhor foi o depoimento do funcionário do TTC no final: "It's freedom or whatever it's called....so you guys gotta do what you gotta do".

Quem sabe você não se anima a participar no próximo ano também? Só não vai vestir cueca furada no dia, hein!

Dá um olhadinha no vídeo deste ano.

12 dezembro 2008

O outro lado da moeda II

Em março falei sobre o blog da Rachel, uma nova-yorkina que vive no Rio de Janeiro e conta suas impressões sobre a cidade, sobre o país e sobre nós, brasileiros. Lembro-me que na época eu falava sobre conhecer "o outro lado da moeda" e para mim continua sendo uma experiência muito interessante, principalmente agora que também posso analisar nosso povo e nosso país com olhos de quem está de fora, e olha que não é sempre que eu gosto do que vejo.

O outro lado da moeda tem uma nova cara: a de uma brasileira que cresceu nos Estados Unidos e está de volta ao Brasil.

Ler os dois blogs e comparar minhas experiências pessoais têm sido um exercício muito enriquecedor, pois consigo ter 3 pontos de vista diferentes sobre nossa cultura: o de um brasileiro (o meu mesmo), o de um estrangeiro (a Rachel) e de alguém que está no meio dos dois, que é metade brasileira/metade americana mas viveu tempo suficiente nos Estados Unidos para poder "redescobrir" o Brasil (a Polyana).

Adventures of a Gringa in Rio
e Disseram que Voltei Americanizada (ambos em Inglês) são links que não podem faltar no seu blogroll!


09 novembro 2008

Facebook

No Brasil, todo mundo tem um perfil no Orkut. No Canadá, ninguém nem sabe o que é isso, porque a rede de relacionamento (social network) mais difundida por aqui é o Facebook, que é a segunda maior do mundo e a mais séria ameaça à primeira, MySpace, mais popular nos Estados Unidos. Se você conhece um canadense, é quase certo que ele já esteja no Facebook, portanto, se você ainda não tem o seu perfil no Facebook, já está atrasado!

Como toda rede de relacionamentos, o Facebook permite que você mantenha contato com amigos dos mais diversos lugares, compartilhando fotos, vídeos e comentários. Pessoalmente. No entanto, um dos fatores que tornaram o Facebook tão popular ultimamente foi ele ter saído na frente com os "aplicativos", que são peqenos programas, na maior parte das vezes escritos em Flash ActionScript, que você pode associar ao seu perfil e permitem interagir de formas muito mais variadas com seus amigos, desde enviar presentinhos (para os mais variados gostos) até transformá-los em "zumbis" ou "vampiros". É claro que, como qualquer usuário pode criar e distribuir suas aplicativos, o início foi meio anárquico, com spams para todo lado, mas a experiência foi permitindo aos desenvolvedores da plataforma refinarem melhor as regras, de forma a produzir aplicativos que valorizem os vínculos sociais, mas sem chatear que não liga para isso. Lembrando que o Facebook surgiu originalmente para as pessoas encontrarem os antigos colegas de faculdade, e ainda tem muito usuário que está lá apenas para isso.

Só que a rede social acabou se expandindo muito além do ambiente acadêmico e os aplicativos abriram uma nova e lucrativa forma de divulgação. Se no início apenas alguns programadores entusiastas (e muito desocupados) desenvolviam aplicativos simples para se divertir com os amigos, hoje existem muitas empresas de Informática investindo pesado no desenvolvimento de jogos especificamente para esse tipo de plataforma.

Mas porque eu estou falando disso aqui? Bem... acontece que a empresa onde trabalho é uma dessas e eu aprendi tudo isso porque agora estamos desenvolvendo aplicativos para Facebook. Durante os últimos meses, por ordem direta do meu chefe, eu ficava o dia inteiro no Facebook instalando os mais variados aplicativos, jogando os mais variados joguinhos (e tem que jogar até o fim várias vezes, para ver todas as formas de interação do programa com a plataforma) e também, quando sobrava tempo, fazer a mesma coisa no Orkut, MySpace, Bebo, Hi5 e outras redes similares. Agora finalmente lançamos o nosso novo joguinho e eu gostaria de compartilhá-lo com vocês. Ok, é claro que a empresa sai ganhando se várias pessoas visitarem a aplicação, mas é de graça e, pessoalmente, acredito mesmo que é graficamente um dos melhores aplicativos disponíveis na plataforma. E é de graça para os usuários do Facebook! Além do mais, eu agradeço muito qualquer crítica ou sugestão com respeito ao aplicativo, porque estamos sempre tentando melhorá-lo.

Evidentemente o Google, dono do Orkut, não ficou atrás e expandiu seu padrão aberto de widgets (aplicativos para páginas Web) para contemplar as atividades de relacionamento. Infelizmente, por ser um padrão aberto, leva um pouco mais de tempo para ser implementado pelos diversos provedores e se consolidar, se bem que a adesão do MySpace a esse padrão certamente tem um peso muito importante nessa consolidação.

Mesmo assim, o Facebook ainda tem a vantagem de ter saído na frente, e também investiu pesado em suporte aos desenvolvedores para garantir uma boa plataforma de desenvolvimento e aplicativos realmente divertidos.

Como qualquer um pode desenvolver e compartilhar seus aplicativos, tem para todos os gostos. Os mais populares são de envio de presentes, abraços, socos e o que mais se puder imaginar, mas existem outros onde a interação é mais sofisticada, como os de Máfia (gangues, piratas...), onde você precisa recrutar seus amigos para formar a sua gangue e conseguir escalar a hierarquia do crime organizado. Pode parecer bobagem, mas todo mundo que experimenta fica pelo menos uma semana sem falar em outra coisa que não seja como aumentar a sua gangue! Existem também muitos jogos que, mesmo sendo jogados individualmente, criam uma competição entre os amigos para ver quem consegue fazer mais pontos e, com isso, demonstrar mais conhecimento. Os desafios de QI e conhecimentos gerais se multiplicam nesse campo.

E como os aplicativos têm a sua página de perfil similar às páginas dos usuários, eles também permitem trocas de informações e discussões em torno dessas atividades. E um outro diferencial do Facebook: eles mesmos criaram um aplicativo que permite que os próprios usuários traduzam praticamente qualquer coisa no site para o seu próprio idioma. Com isso eles conseguiram em tempo record traduzir quase tudo para mais de 35 idiomas diferentes (incluindo o Catalão e as duas versões diferentes do Norueguês, três do Chinês e até um "Inglês de Piratas"). E já estão em andamento traduções para dezenas de idiomas, incluindo Esperanto e Latim (tudo depende do quanto cada usuário se empenha em traduzir ou avaliar as traduções dos colegas). E você pode ir traduzindo enquanto vai utilizando normalmente o site. Talvez por isso tenha funcionado até melhor do que eles esperavam. E os aplicativos que quiserem podem se utilizar dessa ferramenta também automaticamente, o que os torna ainda mais interessantes.

A propósito, se alguém quiser me adicionar como amigo no Facebook, é só entrar no meu perfil (Pedro Rios) e me convidar. Lá eu posso dar mais dicas e enviar convites para os aplicativos que eu achei mais interessantes. Quem ainda não está no Facebook, precisa entrar logo! E se alguém por acaso estiver em alguma outra rede, provavelmente vai me encontrar lá também, porque eu tive que criar meu perfil profissional em quase todas para os nossos testes: MySpace, Bebo, hi5, Friendster e até o Sonico (argentino), sem esquecer do Orkut e LinkedIn, este último muito importante para contatos profissionais. É a Internet, cada vez mais "socializada"!

16 setembro 2008

O que se come em Toronto

Muita gente acha que só de sanduíche vivem os canadenses, mas isso não é verdade. Aqui em Toronto pelo menos, as influências mexicana e indiana são fortes, sem falar da asiática (principalmente chinesa) que domina a cidade. Por causa diversidade cultural é possível encontrar pratos típicos do mundo todo mas nem por isso eu deixo de sentir falta da comidinha lá da "terrinha".

Vou tentar apresentar alguns pratos mais comuns que encontramos na cidade. É claro que existem muitos outros, nem daria para colocar aqui, portanto, isso é só uma pequena amostra.

Breakfast: o pratinho aí do lado é de um dos meus locais favoritos (Cafe Mirage) e tem bacon, ovo frito, batata frita e torrada. Para enfeitar, morango e kiwi fatiados.
A primeira vez que vi um prato desses fiquei impressionada! Ovos e bacon eu já sabia que faziam parte do cardápio, mas batata frita...
Talvez as fritas fiquem para o fim de semana, mas os ovos e bacon não podem faltar!
Outras opções são: ovo poached, panquecas com maple syrup, burrito, entre outros.

Lunch/Dinner: Shrimp Pasta Alfredo, (Kelsey's) ou macarrão com camarão. É um prato que se encontra em quase todo restaurante, variando apenas o tipo de molho. É incrível como se consome camarão por aqui, seja na salada, na massa ou no sanduíche.

Outros pratos que encontramos na maioria dos lugares são: quesadilla (mexicana), chicken teryaki (japonês?), frango e costela de porco ao molho barbecue com batata frita, assada ou purê (esse é canadense!), noodles (uma espécie de yakissoba que os asiáticos consomem, principalmente os chineses).

Em restaurantes asiáticos é possível encontrar noodles soup (vietnamita). Vem com carne, frango e/ou camarão boiando. Para os mais corajosos tem noodles soup de tripa.

Outros "pratos"que você vai cansar de ver por aqui:

(Chicken) Wrap


New York Sirloin Steak


Chicken Wings (geralmente muuuito apimentada)


Shawarma no pão sírio (o famoso churrasquinho de gato)


Chinese food (para todos os gostos e bolsos. Você vai tropeçar em restaurantes chineses, eles estão por toda parte)


Indian food (curry de todas as cores)


E claro que não podiam faltar os donuts!


13 setembro 2008

Valeu a pena imigrar?

No post anterior falei sobre questões que deveriam ser levadas em consideração antes de se tomar a decisão de imigrar e ponderar se você estaria disposto a enfrentar todos os desafios e dificuldades que apareceriam pela frente.

Desafios enfrentados e dificuldades vencidas, é hora de avaliar se valeu a pena ter imigrado.
Conheço algumas famílias que vieram para cá sem que as duas partes que compõem o casal estivessem de acordo, e isso torna a vida bem difícil, já que um deles pensa em voltar ao Brasil o tempo todo. Há casos, inclusive, de pessoas que se recusam a aprender Inglês. Olha que não estou falando de um caso isolado, isso é mais comum do que pensamos!

Pois bem, quando você imigra uma coisa inevitável é a melhora do seu Inglês. Eu sei, você achava que falava muito bem lá no Brasil, mas chegou aqui e ficou se sentindo um índio falando, não é? Tudo bem, eu me sinto assim até hoje, mas pelo menos sou um índio que fala um pouquinho melhor depois de 1 ano por aqui. A quantidade de expressões que se aprende só pelo fato de estar em um país de língua inglesa é imensa, um considerável enriquecimento em seu vocabulário. Mas tem uma coisa que considero a mais importante neste processo todo e é algo que ninguém pode tirar de você: experiência de vida!

Duvido que a experiência que um morador de Toronto tem aqui possa ser equiparada à experiência de um morador de qualquer outra cidade no mundo por causa da riqueza multi-cultural. Sei que o multi-culturalismo é uma das bandeiras que mais vemos mas só quem vive esta realidade consegue entender o que isso significa.

Você vai acabar aprimorando seus conhecimentos de Geografia e História mesmo que não queira porque sempre vai encontrar pessoas de todas as partes do planeta, algumas até de países dos quais nunca ouviu falar.

Também vai aprender um pouco sobre religião porque apesar de não ser um assunto comum no ambiente de trabalho ela está presente na vida das pessoas e algumas coisas simplesmente não há como esconder: o fato dos indianos não comerem carne de vaca ou dos muçulmanos não comerem carne de porco e jejuarem em determinado período do ano, por exemplo. Uma hora ou outra você vai acabar conversando com essas pessoas sobre estes temas e vai aprender muita coisa sobre ele.

Seus valores mudam (acredito que para melhor) bem como a forma com que você via seu país. Acho que você fica muito mais crítico porque agora consegue ver a situação de um outro ângulo , o que te deixa muito mais chateado com os rumos do Brasil e muito mais certo de ter tomado a melhor das decisões ao deixá-lo.

Todas estas são coisas que você "ganha" ao imigrar simplesmente pelo fato de se relacionar com pessoas diferentes em um país que não o seu, são parte do "pacote". As outras coisas acabam vindo como consequência daquilo porque você lutou e nada melhor do que a qualidade de vida.

Quando falo de qualidade de vida não me refiro somente à segurança ou educação, mas ao próprio fato de morar em uma cidade infinitamente menor que São Paulo (no nosso caso) nos proporciona uma vida mais tranquila, com menos filas e stress (não que eles não existam).

Para nós imigrar valeu a pena sim e continua valendo, senão já estaríamos de volta à terrinha. Mas acho que mesmo para aqueles que tiveram uma experiência negativa acredito que o fato de terem vivido aqui lhes trouxe um aprendizado para a vida inteira. É impossível você deixar seu país, conhecer algo diferente e voltar com os mesmos conceitos.

08 setembro 2008

O Canadá te fez bem?


Tenho mania de constantemente reavaliar minha vida, olhar para o passado e ver o que vou fazer com o futuro.
Apesar do feriado prolongado ter sido meio corrido por conta de (tentar) colocar tudo em ordem em casa, tive um tempinho para refletir e constatar que minhas idas ao médico são muito raras desde que cheguei aqui.

No Brasil eu vivia doente, pegava resfriados direto e minha imunidade estava sempre baixa. Há 1 ano estou aqui e nunca peguei um resfriado, mesmo com todo aquele frio do ano passado. Sinto-me mais disposta para o dia-a-dia e faço planos para o fim de semana.

O Canadá é o responsável por esta mudança? Em parte eu diria que sim porque meu nível de stress não está mais nas alturas, não tenho medo de andar na rua ou de ser assaltada no transporte público. Hoje moramos em um apartamento térreo com saída para a rua e a porta da sala fica constantemente aberta. Minha única preocupação é que os cachorros fujam.

Antes de vir para cá eu sentia medo o tempo todo, não respeitava os limites de velocidade ou semáforos vermelhos durante à noite, evitava até sair. Durante o verão derretia dentro do carro, que não tinha ar condicionado, porque tinha medo de abrir a janela e ser assaltada, como ja ocorrera outras vezes.

Por muito tempo tentei mudar de emprego mas não consegui encontrar nenhuma oportunidade que valesse à pena, portanto, o trabalho era outro ponto de stress. Trabalhar em algo que você não gosta com pessoas que você gosta menos ainda fazem da sua vida um martírio constante.

Estou no meu terceiro emprego no Canadá e não tenho muitas queixas. Elas sempre existem claro, porque nada é perfeito, mas o clima de respeito que sempre existiu em todos eles me faz sentir confortável e, felizmente, meus colegas de trabalho são legais.

Toronto é uma cidade pequena se comparada a São Paulo e muitas vezes você tem a impressão de estar vivendo em uma cidadezinha de interior mesmo, pelo menos aqui em North York onde muitos estabelecimentos comerciais não ficam abertos até mais tarde. Várias vezes cheguei ao restaurante às 9 ou 10 da noite e me deparei com as portas fechadas.

Acho que no fundo era isso que eu queria: uma cidade pequena com cara de cidade grande, mas nem por isso deixo de sentir falta de São Paulo, que apesar de todas as suas malezas ainda continua no meu coração.

01 setembro 2008

Primeiras Impressões sobre Toronto

Você se lembra quais foram suas primeiras impressões sobre Toronto? Lembro-me que em minha primeira semana por aqui essas foram as frases que mais me marcaram:

1) Os prédios são tao parecidos, todos quadrados (no caminho do aeroporto para Toronto)

2) Quanta gente na rua! Quanto japonês! (“Nao é japonês, é chinês!” O Pedro me corrigindo)

3) Quanto verde, que ruas lindas! (sobre as ruas próximas ao nosso flat, na Isabella St., em Downtown)

4) Será que só tem fritura e comida gordurosa por aqui? (sobre os inúmeros “restaurantezinhos” existentes na Yonge St. em Downtown; a maioria eram asiáticos)

5) Que frutas lindas e grandes! (a primeira vez em que entrei no Rabba e dei de cara com morangos suculentos e uma infinidade de berries)

6) Como tem homossexuais em Toronto! (eu ainda não sabia que estávamos hospedados em Gay Village)

7) Ninguém fala Inglês nessa terra? (espantada por ouvir de tudo no metrô, menos Inglês)

8) Como o metrô é sujo (quem mora aqui sabe que as pessoas deixam copos de café e principalmente jornais espalhados no chão dos trens do metrô)

9) Como faz calor nessa cidade! (chegamos no meio de um verão escaldante)

10) Acho que vou gostar de viver aqui (foi amor à primeira vista pela cidade)

E você? Quais foram suas primeiras impressões sobre Toronto (ou outra cidade do Canadá)? Será que você ainda se lembra?

06 agosto 2008

Neighbours, eh?


Para quem ainda fica curioso com o "sotaque" canadense, saibam que até a Casa Branca se preocupa com isso. Vejam só esta notícia que eu encontrei hoje, sobre um manual usado pela comitiva americana que visitou o Canadá há 4 anos. Além de explicar o significado da expressão "eh?", ainda ensina que aqui, para chamar uma pessoa para si, usa-se a mão inteira, e não apenas o indicador. Também recomenda tirar os ósculos de sol durante uma conversa e o chapéu quando dentro de casa. Imagino que americanos precisariam dessas instruções...

Um aspecto do Canadá para o qual eu só atentei depois que cheguei aqui é o fato de que só temos um vizinho. Bem diferente do Brasil, que faz fronteira com nada menos que dez países. E o Canadá parece estar culturalmente muito mais próximo do seu único vizinho do que o Brasil de qualquer dos seus dez. Sem mencionar que essa fronteira, o famoso "49th parallel", já foi decantado como a única fronteira não vigiada do mundo (faz tempo...).

É claro que o Canadá tem a sua própria história, sua própria cultura, sua própria personalidade, e até, em certa medida, o seu próprio sotaque! Por que não? Sem mencionar o charme peculiar da parte francófona. Eu passei apenas um dia nos Estados Unidos e podia perceber a todo momento que não estava no Canadá. No entanto, não me parece que a distância seja tão grande para precisar de "manual de instruções" como esse.

Já que estamos falando em fronteiras, às vezes eu tenho a impressão que alguns americanos gostariam que os Estados Unidos fossem uma ilha, para não ter nenhuma. Talvez seja uma herança britânica que não pegou aqui no Canadá.


24 abril 2008

Pés de fora



Está aberta a temporada de pés feios e coloridos.

A Dani já havia comentado sobre isso no ano passado e mesmo chegando no final do verão eu pude constatar com meus próprios olhos o que ela estava dizendo. E não é que eles voltaram à toda nesta primavera?

O calor mal começou e a mulherada já exibe seus shorts e saias ultra-mega-curtas acompanhadas de pés com unhas laranjas, azuis, verde-limão, pink, e qualquer outra cor que você imaginar, algumas têm até desenho. E não são pés bonitos não! Eles têm dedos cabeçudos que mais parecem um E.T. e as unhas são mal pintadas ou descascadas. Um desastre! (cá pra nós, feliz de quem tem um pé bonito, né?)

Mas é graças ao multiculturalismo (ou será mau gosto mesmo?) que ninguém está nem aí para a moda e sai vestido da maneira que quiser. Desde a semana passada tenho visto executivos de terno...e chinelo! Sim, os chinelos são a atração principal desta estação.

Está achando esquisito? Quando o verão começar de verdade com temperaturas escaldantes você também vai ficar tentado a usar um chinelinho para ir para o trabalho.

13 abril 2008

"Cine Brasil"

Ontem foi um daqueles dias em que sentimos falta de algumas coisas que nos eram familiares no Brasil. Em geral sentimos mais isso no hora das refeições...
De qualquer forma, tentamos comer pizza em mais um restaurante italiano, mas ainda não foi desta vez que conseguimos encontrar algo que se pareça com as pizzas de São Paulo (e nem com as cantinas de São Paulo, neste caso). Mas também não se pode esperar muito.
De qualquer forma, depois da janta fomos procurar alguma coisa para ver no cinema aqui do lado e qual não foi a nossa surpresa ao ver em cartaz "The Year My Parents Went on Vacation". Trata-se de "O Ano em que meus Pais Saíram de Férias", filme que já tínhamos visto em São Paulo, mas que decidimos ver de novo aqui, porque a Jeanne queria escutar um pouco de Português, e porque o filme mostra bastante a cidade, ou pelo menos um pedaço dela, o Bom Retiro, que eu freqüentava bastante.
É um filme de Cao Hamburguer, que eu já conhecia muito bem como diretor de excelentes curtas de animação stop motion (com massa de modelar). Este seu segundo longa-metragem (o primeiro foi "Castelo Rá-Tim-Bum, o filme", versão para o cinema da série infantil que ele já dirigia na TV Cultura.) concorreu ao Urso de Ouro em Berlim, além de ter sido o escolhido para (tentar) representar o Brasil no Oscar, à frente do aclamado "Tropa de Elite" e de "O Cheiro do Ralo" (meu favorito), mas não conseguiu a indicação.
Quanto à minha opinião, eu já tinha achado o "Castelo...", apesar da boa trilha sonora do sempre formidável André Abujamra, bastante competente (como filme para crianças) mas não muito mais do que isso, o que, na verdade, não é dizer pouco, tendo em vista as porcarias que os brasileirinhos têm que engolir no cinema (5 minutos de qualquer filme da Xuxa já são suficientes para me deixar profundamente deprimido). Este "O Ano..." é um filme bom, sem dúvida, e mereceu os muitos elogios que recebeu, mas me pareceu um pouco mal acabado ou desarticulado. A ambientação nos anos 70 deixa um pouco a desejar em alguns momentos, algumas personagens importantes ficaram um tanto bidimensionais, como o velho Shlomo, cuja história pessoal, provavelmente muito interessante e relacionada com os eventos da época, não é nem sugerida em nenhum momento, e a ditadura, uma referência importante na trama, aparece muito pouco. Também sofre com a inevitável comparação com o grande "Quando Papai Saiu em Viagem de Negócios" e com o recente argentino "Kamchatka". Mas o bairro do Bom Retiro é bem retratado, a Copa de 70 também aparece bem, sem exageros, os atores são bons, mesmo as crianças, e a trilha sonora (desta vez a cargo de Beto Villares), se não é extraordinária, é sem dúvida muito bonita e cuidadosa, fazendo jus ao cenário multicultural.
Não sei se eu teria ido duas vezes ao cinema para ver esse filme (fiz isso em pouquíssimos casos muito especiais), mas é claro que ver o filme com legendas em Inglês, em meio a gringos, não deixa de ter um sabor diferente. Por mais que eu tentasse evitar, não para não ficar imaginando o que será que os gringos estavam entendendo de tudo aquilo. O filme, é claro, faz muitas referências que só brasileiros entenderiam, e as legendas, como também era de se esperar, traduzem no máximo 80% do que está sendo dito (sem mencionar as entrelinhas). Isso me fez pensar, mais uma vez, no quanto estou perdendo quando vejo um filme estrangeiro, ou mesmo diálogos em língua estrangeira em filmes americanos (o (péssimo) "Turistas", em cartaz na televisão aqui, também dá uma boa idéia dessas perdas, mas não vale a pena nem por isso). Mas espero que tenha sido divertido para os canadenses também. Pelo menos não vi ninguém levantar no meio do filme.
Encontramos esse filme totalmente por acaso, mas depois eu pesquisei e descobri que está em cartaz em ainda mais um cinema de Toronto, o Cumberland, perto da Yonge & Bloor, que sempre passa filmes estrangeiros. Fica aqui a recomendação.

03 abril 2008

Polêmica da imigração

Tenho acompanhado a polêmica sobre a mudança nas regras para a imigração. Como eu disse no post Contrate um imigrante, existem mais de 800 mil processos esperando sua vez.

Pelo que percebi esta é uma guerra política entre Conservadores, que querem dar preferência a trabalhadores mais qualificados, e os Liberais, que são politicamente corretos e acham que todos devem ter oportunidades iguais neste país.

Segundo o CIC, 50% de todas as aplicações para skilled workers são processadas em até 36 meses. Nas Américas, 80% das aplicações são processadas em aproximadamente 2 anos -tem alguém aí no Brasil com mais de 1 ano de processo aberto? Muita gente, né? - mas este não é o pior dos casos.

Um imigrante de Nova Delhi vai esperar quase 13 anos para obter seu visto e um colombiano de Bogotá vai esperar nada menos que 16 anos e meio, em média. Veja mais detalhes aqui.

Daniel Stoffman, autor do livro Who Gets In, diz que enquanto a maioria dos imigrantes eventualmente adotam valores canadenses, outros simplesmente poderiam criar um enclave se postos de trabalho bem-remunerados não forem abertos, já que o Canadá admite 250 mil novos imigrantes por ano.

Para resolver isso o governo deveria se empenhar mais em integrar o imigrante na sociedade e derrubar barreiras para que eles possam exercer sua atividade principal, como dentistas e engenheiros que lutam para ter seus diplomas reconhecidos por aqui. A sugestão é de que o governo ofereça cursos gratuitos para que profissionais como estes - que estão em falta no país - possam se adequar aos padrões e exigências locais para suprirem essa lacuna existente.

E a briga política continua. Em 2005, antes dos Conservadores entrarem no poder, aproximadamente 263 mil residentes permanentes chegaram ao Canadá. No ano seguinte esse número caiu para 251 mil e em 2007 caiu ainda mais para 237 mil.

Segundo o Liberal MP Maurizio Bevilacqua, mais de 36 mil imigrantes deixaram de ser admitidos no país nos últimos 2 anos. Agora a pergunta que não quer calar: "the Liberals asked why, if Conservatives like immigration so much, have fewer immigrants been coming to Canada since they took office? We cannot afford to shut the door on immigrants."

Mas apesar das diversidades, algumas etnias até têm conseguido se integrar bem ao "canadian way of life" e os casamentos mistos são cada vez mais comuns.

Segundo a reportagem do Metronews, os japoneses são os que aderem com mais facilidade a uma união inter-racial (74,7%). Em segundo e terceiro lugares estão os latino americanos (47%) e os negros (40,6%); ao contrário dos sul-asiáticos e chineses que resistem em formar uniões fora de seu grupo.

28 março 2008

Algumas coisas boas

Quando se vai para outro país pensamos sempre nas grandes mudanças, mas existem pequenos detalhes que fazem a diferença e aqui eu finalmente consegui "vivenciar" estes detalhes.

Em primeiro lugar, qualquer pessoa pode processar ou ser processada. Isso pode ser bom ou ruim e é por isso que a maioria procura andar na linha. Esse país deve ser o paraíso dos advogados!

Nós seguimos regras, aliás, tem regra pra tudo! Outro dia vi um código de conduta para frequentar a piscina pública e não tinha nada a ver com coisas do tipo "não entre na água usando óleo bronzeador".

Ninguém fica te "encoxando" no transporte público senão você pode processá-lo por assédio. Já pensou se isso fosse válido no Brasil?

Se seu horário de trabalho é das 9 às 16h30 ninguém vai olhar feio porque você está saindo às 16h31. No Brasil você tem que fazer hora extra sem ganhar um tostão senão seu chefe acha que você está "desmotivado". Hora extra também serve para ser promovido. Se você trabalhar só 8 horas por dia pode esquecer!

Mesmo que o motorista esteja morrendo de pressa e xingando sua mãe enquanto você atravessa a rua no sinal vermelho, ele terá que esperar porque se ele te machucar poderá ser processado.

Ninguém fica gritando "gostosa" pra você na rua ou quando você passa em frente a uma construção.

Em muitas lojas você pode devolver o produto que comprou e receber seu dinheiro de volta sem dar maiores explicações. No Brasil eu NUNCA consegui devolver um produto ou receber o dinheiro de volta. Alguém aí já comprou aquelas coisas anunciadas na TV que garantem seu dinheiro de volta em até 30 dias se você não ficar satisfeito?

A maioria dos cachorros frequenta uma escolinha de adestramento enquanto filhotes. A-ha! Então é por isso que eles são tão educadinhos. Os meus continuam uns monstros me fazendo passar vergonha na rua.

Em diversas épocas do ano tem várias liquidações e vira e mexe você compra alguma coisa e ganha um cupom de desconto.
Toda sexta chega um jornalzinho (gratuito) aqui no prédio com as promoções da semana em lojas, supermercados, farmácias, etc. É só ler e aproveitar as ofertas!