08 janeiro 2008

Você tem curso superior?

Antes de vir para Toronto eu sempre ouvi que os empregadores daqui davam mais importância à experiência prática de trabalho do que à formação acadêmica. Na minha busca por emprego constatei essa verdade.

No meu caso (Technical Writer) os anúncios geralmente pedem:
  • Diploma em Artes ou equivalente em Inglês ou algo relacionado à área de IT- por incrível que pareça o meu curso de graduação em História entra na categoria "artes"; ou
  • Certificado em Business Writing ou outro relacionado à área de IT - pode ser um curso de 2 anos ou até um curso online de algumas semanas; ou
  • Experiência equivalente na área
Por coincidência, hoje saiu uma reportagem no Metro News falando sobre a relacão entre empregabilidade/salário e nível de instrução. Você pode ler a reportagem na íntegra clicando aqui.

Muitos estudantes terminan o High School e decidem viajar ou fazer qualquer outra coisa ao invés de ir direto para a universidade.

Em 2000 uma pesquisa começou a acompanhar 15 mil estudantes entre 18 e 20 anos na época e concluiu que aqueles com mais escolaridade tiveram mais chances de encontrar um emprego e de ter um salário maior do que aqueles que não cursaram o ensino superior.

Os jovens de 22 a 24 anos com nível superior e que saíram do colegial direto para a faculdade tiveram um nível de empregabilidade maior (80%) contra aqueles que não completaram o High School (72%). Os primeiros tiveram uma média salarial de $625 por semana e os que desistiram da escola só ganharam $450/semana.

Já os que completaram o nível superior mas "deram um tempo" assim que saíram da escola estavam fazendo $85 a menos por semana do que aqueles que ingressaram direto na faculdade.

Este estudo não me pareceu ter um fundo científico muito forte mas dá uma idéia do que acontece por aqui.

No Brasil não é muito diferente, quem tem curso superior geralmente ganha relativamente mais do que aqueles que não têm. A principal diferença está no nível de exigência acadêmica e profissional e nesse assunto os canadenses são mais flexíveis.

Tenho um exemplo dentro da minha própria casa: o Pedro tem curso técnico em eletrônica (se não me engano), cursou uns 3 anos de Física e acabou se graduando em Filosofia. Para aumentar um pouco mais essa confusão ele trabalhou como Analista de Sistemas/Programador desde o primeiro emprego há mais de 15 anos.

Somado ao longo tempo de experiência ele acumulou alguns cursos, entre eles uma certificação em Java, inclusive deu aula de Java e outras tecnologias durante 4 anos em uma universidade, porém o fato dele não ter um diploma na área de informática fechava quase todas as portas.

Chegava a ser ridículo quando ele ia para as entrevistas. Na maioria das vezes eles estava até super qualificado para a vaga, mas assim que o empregador descobria que o diploma dele era em Filosofia, todas as qualificações iam por água abaixo, afinal, o principal requisito era o tal do diploma em Análise de Sistemas ou afins, principalmente nas grandes empresas.

Chegando aqui foi diferente, poucas foram as oportunidade perdidas porque uma graduação na área de IT era obrigatória. O tempo de experiência dele sempre ficou em primeiro lugar e, por coincidência, além do chefe dele também ter estudado Física na faculdade, disse que ter um curso de Filosofia ajudaria muito no trabalho do Pedro, já que ele precisaria usar muita lógica e raciocínio. Quem dera se todos pensassem assim.

6 comentários:

Cid Rodrigues de Andrade disse...

Jeanne, comentei este post no meu blog. Assim como o Pedro, eu já tive problemas por atuar em área distinta daquela do meu bacharelado. Sou bacharel em Arquitetura e, apesar de pós-graduado na área de informática, não pude participar de um concurso para esta área. O interessante é que meus alunos de Ciência da Computação podiam inscrever-se, mas eu não.

guerson disse...

Realmente, aqui no Canada eles valorizam o conhecimento, o famoso "skills". Portanto, não ligam tanto para o diploma em específico mas que tipo de skills eles precisam. Por exemplo, um diploma em historia pode abrir muitas portas em business pois eles procuram pessoas que possam pensar de forma crítica e solucionar problemas.

Quando eles dizem "diploma em artes", quer dizer qualquer área de humanas e ciencias sociais, pois aqui isso se chama Arts & Science, e o diploma é o BA - Bacharel em Artes. A terminologia bem do Latim...

O chefe do Alan na Air Canada, ou seja, numa posição de executivo de uma grande empresa. não era formado em administração - ele tinha um PhD em Física Nuclear... Mas era super bom no que fazia pois o doutorado o capacitou a pensar de forma crítica, pesquisar e solucionar problemas em um nível muito alto.

Diploma qualquer um consegue... o que eles querem ver é se vc tem capacidade para exercer a função.

Fábio e Milena disse...

Até parece que curso superior atesta qualidade profissional de alguém...

Tenho várias certificações na minha área de trabalho (redes) mas devido ao fato de não ter terminado o bendito "curso superior" perdi boas oportunidades... mas é isso aí... país subdesenvolvido é assim mesmo.

Fábio

leticia disse...

"Até parece que curso superior atesta qualidade profissional de alguém..."

Concordo totalmente com essa afirmação!!
Fiz 3 anos de FAAP e considero 3 anos perdidos e um montante absurdo de dinheiro jogado fora... Aquilo era mais um clube de abastados do que uma faculdade de verdade...
Meu marido nunca fez faculdade e é um dos profissionais mais conceituados da área, mas o que tem de "diplomado" que se acha o próprio george lucas sem mesmo ter saido direito das fraldas é irritante!!

Taís Jacques disse...

Isto que estou para te perguntar há algum tempo, está muito difícil de conseguir emprego aí em Toronto??? (meu maior medo é ficar muito tempo desempregada!) Sei que existem ONG´s que ajudam o imigrante na colocação no mercado de trabalho, inclusive te treinam para as entrevistas....

Quais são as maiores dificuldades??
quando tiver um tempinho me responda....Obrigada!

abraços

Taís Jacques

Taís Jacques disse...

Esqueci de dizer, será que quem tem conhecimento em mais de um idioma, fora Inglês (é claro!) e Francês, isso facilita....

Taís