22 dezembro 2006

Canadenses que admiro - 3

Até aqui eu falei sobre personalidades que migraram para o Canadá, onde puderam atingir um alto grau de excelência. Este mês vou falar sobre um canadense nato, que nasceu e morreu em Toronto, onde passou boa parte de sua vida em reclusão.
Glenn Gould foi um dos maiores pianistas do século XX e sua granvação das Variações Goldberg de Bach é ainda considerada por muitos como sendo a "definitiva", além de muitas outras obras desse compositor, que era seu preferido, interpretadas tanto ao piano quanto ao órgão. Eventualmente ele também tocava alguns outros compositores, como Mozart, Brahms e Schoemberg, este último tendo também influenciado suas próprias composições.
Sua obsessão pela perfeição técnica e sua pouco preocupação com os limites do convencional lhe garantiram o respeito mundial, não sem alguma polêmica. Esta foi alimentada ainda por suas excentricidades, entre as quais o hábito de murmurar as notas enquanto tocava, o que pode ser ouvido em praticamente qualquer uma de suas gravações (quando o ouvi pela primeira vez, fiquei meses pensando que era um problema no meu aparelho de som, até que meus professores de piano me confirmaram essa "peculiaridade" do grande pianista).
No entanto, talvez a sua maior excentricidade fosse em relação ao público. Em 1964, ele anunciou que não faria mais apresentações ao vivo e passou a viver recluso. Tendo sido sempre uma personalidade arredia, alguns estudiosos posteriores chegaram a aventar a hipótese dele sofrer de um tipo leve de autismo, mas trata-se apenas de uma especulação longe de ser universalmente aceita. Mesmo porque sua reclusão não era absoluta. Ele apenas se mantinha a uma "distância segua" do público, mas continuava gravando regularmente, além de produzir documentários para a rádio canadense, os quais foram bastante aclamados pelo seu experimentalismo, e chegou até a formar uma orquestra de câmara.
Em Outubro de 1983, dias depois de completar 50 anos, Glenn Gould sofreu um derrame cerebral que o levou à morte. Dizem que ele estava tocando a Arte da Fuga. Que morte poderia ser mais perfeita para um pianista?

Eu quase ia conseguindo fazer um post inteiro sem falar em cinema, mas, entre os vários filmes e documentários feitos sobre este gênio, não posso deixar de citar o premiado 32 curtas sobre Glenn Gould, contruído a partir da estrutura das Variações que o clebrizaram, e misturando ficção com documentário, é bastante tocante e intrigante, sem deixar de ser instrutivo.

Quando eu estiver em Toronto, uma das coisas que precisarei fazer é procurar o Fran's que Glenn Gould costumava freqüentar às 2 da madrugada.

4 comentários:

Jeanne disse...

Só espero que no Fran´s de lá seja proibido fumar e o atendimento seja melhor que o daqui!
:)

Carol & Fernando disse...

Olá!

Desejamos um FELIZ NATAL cheio de paz, saúde, amor, realizações e prosperidade
Que 2007 seja um ano bem especial!

Beijos e abraços,
Carol e Fernando

Erasmo & Elaine disse...

Olá amigos!!! Finalmente consegui ler todo o blog de vocês!!! Muito legal!!! Um grande 2007 a todos nós!

Erasmo

Paula Regina disse...

Feliz 2007 para vocês também e já que você também será uma Canadense já vá começando a conhecer as celebridades do Hockey. Acredita que no Seneca College há um curso de especialização chamado Hockey Hall of Fame? Pois é..O pior (ou melhor) é que isso contagia, para uma pessoa como eu que sempre gostou de inverno e gelo..