28 setembro 2007

Capachinho e Piaçava no Metrô


Nesta sexta-feira a Ísis e o Willy fizeram seu primeiro passeio de metrô e streetcar. Nem preciso falar que viraram a atração dentro do metrô, né?

Todos que se sentavam próximos de nós brincavam com eles, conversavam, afagavam e perguntavam se a Ísis era da raça Jack Russel Terrier. Eu nunca havia ouvido falar desse cão mas fui procurar no Google e achei essa foto aí ao lado. Não é que a Ísis parece mesmo com um Jack Russel? Mas duvido que ele seja tão praga igual a ela.

Os dois se comportaram tão bem que eu nem acreditei! A Ísis até deitou no meu colo, e olha que quando ela sai de carro fica em pé o tempo todo, nunca senta, parece um cavalo. Uma vez fomos de São Paulo ao Paraná e ela foi em pé durante as 11 horas de viagem.

A sensação de andar com cachorro no transporte público é bem esquisita, parecia que eu estava fazendo algo errado, escondido e que a qualquer momento iam pedir para eu descer mas não foi o que aconteceu. Os motoristas dos streetcars sequer olharam pra eles então fizemos nossa viagem tranquilamente. Só na volta que pegamos o metrô completamente lotado às 14h30 da tarde!!!! Aí sim foi difícil porque viajamos em pé e ainda tínhamos que ter cuidado para não pisarem nos coitadinhos, principalmente no Willy que é tão pequeno que até em casa a gente vive tropeçando nele, heheheh

Ah, as pessoas têm me perguntado sobre o apelido deles. Capachinho porque o Willy é uma bolinha de pêlos e quando deita fica parecendo um tapetinho e como ele é maria vai com as outras virou Capachinho.

A Ísis tem um pêlo duro e espetado que parece uma piaçava, daí o apelido.

Quem inventou isso? Só podia ter sido o Pedro!

É lógico!

Ok. Todo mundo está perguntando que questão complicada foi aquela da minha entrevista. Vou tentar reproduzi-la aqui. Trata-se de uma questão que envolve mais lógica e matemática do que propriamente programação. Em todo caso, ela foi proposta na segunda entrevista, pelo CTO da empresa. A princípio ele pediu para eu desenhar algum projeto que tivesse desenvolvido. Depois ele me veio com essa:

Considere uma empresa que produz peças: parafusos e porcas. Os parafusos pesam 11g e as porcas, 10g. Para atender a uma encomenda de porcas, foi separado um certo número de caixas, mas, por engano, uma das caixas continha parafusos, só que agora todas as caixas já estão fechadas. É preciso descobrir qual é a caixa errada!
Suponha-se um sistema automático que pode coletar uma determinada quantidade de peças de uma determinada caixa e guardar numa bandeja e pode também levar o conteúdo da bandeja para uma balança. A primeira ação é executada por uma função void pegar(int numPecas, int caixa); e a segunda por uma função int pesar(); embora isso seja meramente ilustrativo, porque não precisava escrever o programa, mas apenas demonstrar a minha maneira de raciocinar (se bem que essas funções acabaram me dando uma dica importante no final).
O problema é montar um algoritmo que execute essas operações (um programa que chame essas funções) para determinar qual é a caixa que contém parafusos em vez de porcas.
A princípio, ele disse que era apenas uma maneira de observar a minha maneira de pensar e resolver problemas. Por isso eu comecei com a solução mais simples: pegar uma peça da primeira caixa e pesar, depois uma da segunda e assim sucessivamente até encontrar um parafuso. Depois ele pediu para considerar a balança como um recurso caro que precisa ser otimizado e pediu para elaborar um algoritmo que executasse menos pesagens. Eu propus uma solução com busca binária (ele me pediu até a função matemática que descreve a eficiência da busca binária). Por fim, ele disse que a balança era um recurso muito, muito caro e perguntou se eu poderia fazer um algoritmo com o mínimo de pesagens possível. Ele até saiu da sala para deixar eu pensando. Se bem que a resposta me veio logo que ele saiu. Na verdade esse é um problema clássico de lógica que aparece em muitos livrinhos de passatempo. Apesar disso, depois que eu dei a resposta, ele disse que mais ou menos 90% das pessoas não conseguem chegar a essa solução.
Alguém mais sabe a resposta?

27 setembro 2007

Vai trabalhar, vagabundo!

Hoje não tenho como escapar. A Jeanne já está brava comigo porque ainda não escrevi um post dizendo que já comecei a trabalhar!
Depois de duas entrevistas (onde tive que responder até perguntinhas de lógica) fui contratado por uma empresa de jogos online. Embora muitas pessoas achem que deve ser muito legal trabalhar nesse tipo de empresa, eu vou cuidar mais da parte administrativa do site. Só de vez em quando é preciso testar se os jogos estão bem integrados com o resto.
Mesmo assim, tenho que reconhecer que o clima da empresa é mais descontraído. Fica num edifício antigo, no Distillery District, um lugar bem charmoso, perto (mas não muito) do centro da cidade. São vários edifícios antigos, com galerias de arte, lojas de decoração, restaurantes e alguns escritórios escondidos.
Acho que os edifícios são históricos e não podem ser reformados, o que cria uma atmosfera pitoresca no ambiente de trabalho. Tem até uma caldeira no meio de uma sala de reuniões.

Minha última entrevista foi na segunda de manhã. No final do dia perguntaram se eu não poderia começar a trabalhar já na quarta. Como não estou fazendo nada...
Passei o primeiro dia inteiro instalando e configurando o ambiente de desenvolvimento na minha máquina. Ou melhor, máquinas, porque lá todo mundo tem dois computadores para trabalhar. É tanta ferramenta que eu fiquei até com medo. E hoje, o segundo dia, fiz uma simulação no ambiente pré-produção. Não pude fazer muita coisa porque no meio da tarde, todos paramos de trabalhar para ir a uma festa em outro andar, organizada pelo pessoal que desenvolve os jogos para comemorar o lançamento oficial de um novo jogo na Internet. Tinha comida de todas as partes do mundo, bebida à vontade, de refrigerante até vodca, com barman e até DJ. Sem esquecer, é claro, das instalações de jogos para quem quisesse "experimentar". E ainda deram uma camiseta para cada um. Para completar, deram a sexta-feira de folga para todo mundo! Assim eu vou acostumar mal...

Outra coisa interessante nesse lugar é que fica pertinho do Cirque du Soleil. Por coincidência, é para lá que fui quando saí da festa, mas isso já é o assunto do próximo post.

23 setembro 2007

Torre de Babel

Choquequirao - Peru

Toronto é realmente uma Torre de Babel onde você pode encontrar pessoas de todos os lugares desse mundão.

No Job Start conheci a Maria Elena, uma boliviana que se casou com um peruano e mora aqui há 1 ano. Fomos convidados para almoçar na casa deles neste domingo.

A Maria Elena é um desastre na cozinha; para vocês terem idéia ela é pior que eu porque não sabe nem ferver água, é uma comédia.
Isso acontece porque na Bolívia a mão de obra é tão barata que qualquer família tem empregada, cozinheira e muitas vezes até babá. Desta forma, minha amiga disse que nunca precisou colocar o pé na cozinha, só que aqui no Canadá as coisas são bem diferentes.

Mas não pensem que ela está sofrendo não, porque o marido Jorge é um cozinheiro de mão cheia e não a deixa entrar na cozinha, lá é território dele! Ai, bem que o Pedro poderia pegar umas aulinhas com ele, né? Já pensou eu com cozinheiro particular em casa?

Mas, voltando à realidade, essa mistura de gente de vários lugares é muito rica porque você sempre aprende alguma coisa sobre o país do outro.

Além de cozinhar o Jorge também gosta de dar uma de mochileiro e em 2006 passou 3 semanas sem tomar banho, quer dizer, subindo umas montanhas em Choquequirao, considerada a irmã sagrada de Machu Pichu no Peru. E não vai parar por aí não! Ele disse que ainda falta percorrer a outra parte do caminho que ficou faltando e pretende fazer isso logo no início do próximo ano. Haja disposição!


22 setembro 2007

Fazendo compras em Kensington

Mais uma vez nos reunimos com nossos amigos Alexandra e Alan para uma agradável manhã/tarde no Kensington Market.

É incrível como aquele lugar é vivo e cheio de coisas para serem descobertas. A primeira impressão de quando se vai lá é de que só tem legumes e verduras na rua como se fosse uma grande feira, mas o Kensington não é só isso.

Você tem que se embrenhar pelas lojinhas e descobrir tudo o que elas têm para oferecer, desde paçoquinha, chá mate, guaraná e outros produtos brasileiros, passando por especiarias da Índia e até produtos portugueses, peruanos, mexicanos; enfim tudo o que você imaginar estará lá escondidinho em alguma prateleira.

Aproveitamos para almoçar ali mesmo em uma casa de empanadas chilenas. Assim como o mexicano em que fomos da última vez, esse restaurante não deixou a desejar no tempero, mas como tudo por ali, estava lotado.

Vale a pena reservar um sábado para "descobrir o Kensignton Market"; com certeza é um programa que já está em nossos futuros planos.

21 setembro 2007

Elephant & Castle


Ontem à noite fomos a um barzinho pela primeira vez e o escolhido foi o Elephant & Castle para o encontro do pessoal da comunidade do Fernando no orkut: Brasileiros Vivendo em Toronto.

Adoramos o bar, que tem uma atmosfera bem intimista e um cardápio variado e delicioso. Não bebo cerveja mas sou fã incondicional de melancia e de vodka com qualquer coisa, portanto é claro que minha bebida não poderia ser outra: um coquetel de vodka com xarope de melancia. Se não me engano é o mesmo xarope que colocam na soda italiana. Divino!

Eu havia me esquecido que não se fuma no interior dos bares daqui então já saí de casa achando que iria voltar com o cabelo e a roupa fedidos de cigarro, mas isto não aconteceu. AMEI!

O pessoal já está agitando um boliche para o próximo encontro. Enquanto isso, veja as fotos de ontem aqui.

14 setembro 2007

IKEA

A Ikea é ponto obrigatório para todo imigrante recém chegado e com pouco dinheiro no bolso. A loja é uma espécie de ETNA ou Tok Stok que temos lá no Brasil, embora eu prefira a Tok Stok porque tem móveis muito mais modernos e arrojados.
A loja daqui tem produtos para todos os bolsos e aqueles mais baratinhos têm qualidade superior ao que é vendido no Wal-Mart. Aliás, não comprem móveis no Wal-Mart porque a maioria que tenho visto é praticamente descartável. Muito móveis em exposição, inclusive, já estão caindo aos pedaços. Comprar lá é jogar dinheiro fora.

Um exemplo de móvel barato é esse rack para TV por $16,99:

Mas se você tiver espaço e bolso maiores pode levar esse daqui por "apenas" $179:
A loja que temos mais próxima daqui é a de North York.

Para quem não tem carro basta descer na estação Leslie do metrô e subir a escada rolante para pegar uma van que te leva até a Ikea. Ela passa a cada 20 minutos.

Boas compras!

12 setembro 2007

Health Card

Chegando aqui o newcomer tem que providenciar uma série de documentos: SIN, PR Card, Driver's Licence (para quem for dirigir), entre outros. Nesta semana tentamos providenciar o Health Card; digo tentamos porque só o Pedro conseguiu. Como eu não tenho nenhum comprovante de endereço além da cópia do contrato do apartamento não pude aplicar.

Fique atento porque nenhuma cópia de documento é aceita, todos devem ser originais e basta apresentá-lo lá na hora, não precisa levar cópia.

A lista de documentos contém 3 itens:

1- Comprovante de cidadania ou elegibilidade para aplicar para o OHIP: qualquer documento que prove que você é cidadão canadense ou possui algum outro status que dê direito ao Health Card. No nosso caso somos landed immigrants, então temos direito.

2- Comprovante de rediência em Ontario: foi o que eu disse no início do post, você vai precisar de um documento com seu nome e endereço provando que você reside em Ontario.

3- Documentos adicionais: é o que eles chamam de Support of Identity, ou seja, um documento que contenha seu nome e assinatura (o PR Card é um deles).

No caso do Pedro ele só apresentou o passaporte e uma conta da Rogers. Em algumas semanas ele receberá o Heath Card via correio mas só poderá utilizá-lo a partir do terceiro mês aqui no Canadá. Até lá contamos com o suporte de um plano de saúde contratado no Brasil através da AMEX.

Com os documentos em mãos e o formulário prenchido basta ir a um dos postos de atendimento e pegar uma senha.

Este blog fala sobre o Health Card para residentes temporários...eles não têm direito a um.

07 setembro 2007

Graduação no Job Start


Os posts têm ficado menos frequentes aqui no blog mas é porque andamos muito ocupados nessas 2 últimas semanas com a mudança de apartamento, a chegada de Capachinho e Piaçava e as tarefas do Job Start, que finalmente terminou hoje com um almoço internacional de confraternização.

Cada um levou um prato típico de seu país e como não era possível levar picanha ou feijoada, tivemos que levar pãezinhos de queijo e guaraná comprados lá no Nosso Talho na Bloor St. Nossos amigos da Marcha dos Pinguins falaram sobre esse "açougue/mercado" aqui.

O curso acabou mas é agora que o trabalho realmente começa porque já sabemos o que responder nas entrevistas (ainda precisamos praticar), onde e como procurar trabalho e ainda contaremos com a ajuda do Job Start durante 3 meses nos quais eles vão oferecer nossos serviços para as empresas e nos oferecer vagas que eles recebem por lá.

Como já havíamos feito um curso relâmpago como esse no Skills for Change não tivemos tantas novidades assim, mas o bom deste último é que além do trabalho de auto-confiança que eles fazem conosco ainda teremos essa ajuda para vencer a barreira do primeiro emprego canadense.

Ainda não temos 2 meses de Canadá mas para mim parece que faz muito mais tempo porque a ansiedade de conseguir trabalho na nossa área é grande. Sei que a média é de 3 meses, mas isso varia muito.

A partir de segunda recomeçaremos nossa busca, mas dessa vez do jeito certo!

02 setembro 2007

Olha quem chegou!


Esses 2 últimos meses devem ter sido duros para os meu pequenos porque saíram de casa, foram para hotelzinho, depois mudaram de novo e ficaram na casa de uma amiga minha que os tratou como filhos, o que me deixou mais tranquila.

Assim que cheguei ao depósito de cargas da Air Canada deu até pena porque eles tremiam como eu nunca vira antes, mas assim que os tirei da caixa eles se animaram.

Felizmente se comportaram direitinho durante a viagem e conseguiram segurar as "necessidades" para fazer em terra firme.

Acho que já expliquei aqui o procedimento para enviar animais como carga viva, então vou falar sobre a chegada deles.

Você deve ir até a Britannia Av. 2580 que é onde fica o depósito da Air Canada. Lá você fornece o AWB, que eu não sei o que é mas é um número que o agente de cargas no Brasil vai te passar.

Você recebe um papel e tem que ir até o Customer Service para pagar a taxa de inspeção veterinária de $37 e mais umas taxas municipais no valor de $11. Não espere ser bem atendido.
Esse prédio fica um pouco depois do número 2580 da Britannia. Você sai do depósito, vira à direita e segue até encontrar um prédio azul espelhado.

Depois de pagar as taxas você deverá retornar ao depósito, apresentar o comprovante de pagamento e pagar mais $50, só então seus pets serão liberados ali no prédio mesmo.

Tem um balcão no qual você se apresenta e espera por atendimento. Eu não esperei muito e o funcionário foi muito atencioso, mas pelas pixações que vi por lá os clientes não estão nada satisfeitos com a empresa e nem com o tempo de atendimento. Havia xingamentos de baixo calão e várias referências sobre a demora no atendimento como "wait 4 ever". Não resisti e tirei uma foto de uma das pixações. Reparem no "next 3 years" acrescentado ao final da frase:

Chegando em casa eles comeram bastante e depois fomos passear pelas redondezas.
Eles se adaptaram logo ao novo lar mas não desgrudam de mim um instante, principalmente o Willy.

01 setembro 2007

Home Sweet Home

Vista da sacada do nosso apartamento.

Depois de 1 mês e meio sem um cantinho que pudéssemos chamar de nosso, hoje finalmente nos mudamos para nosso apartamento. O Luiz,nosso roomate, nos ajudou a trazer as malas e algumas tralhas.

Essa foi uma das pimeiras "mudanças" que fiz sem chuva, mesmo no dia em que deixamos o hotel e fomos para a casa do Luiz caiu uma garoa fininha.

Fomos recepcionados com uma cesta de boas-vindas oferecida pela administradora do prédio. Achei a idéia excelente porque quando você se muda dificilmente tem coisas básicas à disposição. Geralmente você vai até o "mercadinho" mais próximo e compra o necessário.

À noite fomos até o Loblaws para comprar alguma coisa para comer mas achei os preços absurdos,porém, mesmo com preços altos eu vi carne estragada (esverdeada) à venda. Já vi que não é uma exclusividade do No Frills. O que me pergunto é se alguém compra isso!

Loblaws: nem tudo o que reluz é ouro.